   A Iluso Pr-
    Milenista
O Quiliasmo* analisado  luz da Escritura



          Brian Schwertley




    Traduo: Marcelo Herberts
    Fevereiro / 2006
                                                                                                                                  2


             Contedo

Contradies Pr-Milenistas ........................................................................................ 3
    1. O mito da interpretao literal vs. no-literal................................................ 3
    2. O dia do Senhor ................................................................................................. 4
    3. A falcia cronolgica ....................................................................................... 11
    4. Governo terreno ou celeste?........................................................................... 12
    5. O retorno em chamas flamejantes................................................................. 15
A Opo Ps-Milenista................................................................................................ 17
    1. O aprisionamento de Satans......................................................................... 17
    2. O Reino milenar............................................................................................... 21
    3. A primeira ressurreio .................................................................................. 24
    4. O Reino como milnio .................................................................................... 27
    5. O perodo do Reino.......................................................................................... 27
A Natureza do Reino.................................................................................................... 36
    1. O Reino  espiritual ......................................................................................... 36
    2. O Reino  universal ......................................................................................... 38
    3. O Reino  expansvel ....................................................................................... 40
Profecias do Reino do Antigo Testamento ............................................................... 44
O Reino do Messias ..................................................................................................... 53
    1. Conhecimento universal do verdadeiro Deus .............................................. 53
    2. Todas as naes adoraro Jeov ................................................................... 54
    3. A igreja sobressair nos acontecimentos do mundo .................................. 55
    4. Paz universal .................................................................................................... 56
    5. Grande prosperidade....................................................................................... 57
Objees ........................................................................................................................ 64
Falcias Escatolgicas Comuns ................................................................................. 69
    1. O anticristo........................................................................................................ 69
    2. A besta ............................................................................................................... 70
    3. A marca da besta.............................................................................................. 73
Concluso ...................................................................................................................... 76




             * N.T.: Quiliasmo, a partir do termo grego chilioi  com significado de "mil"
              refere-se em sentido geral  doutrina da era milenar ou do reino que ainda
             h de ser, a crena de que Cristo retornar para reinar por mil anos. O termo
             tem sido substitudo pela designao pr-milenismo; h mais implcito no
             termo do que mera referncia a mil anos. So mil anos interpostos entre a
             primeira e a segunda ressurreio da humanidade. Nesses mil anos todas as
             alianas com Israel sero cumpridas. Toda a expectativa do Antigo
             Testamento est em jogo, com seu reino terreno, a glria de Israel e a
             promessa do Messias sentado no trono de Davi em Jerusalm (L.S. Chafer,
             Systematic theology, IV, p. 264-5)




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               Contradies Pr-Milenistas


A viso escatolgica predominante entre os cristos no sculo vinte
 o pr-milenismo. O pr-milenismo  a viso de que aps Sua
segunda vida, Jesus Cristo ir governar a terra por 1000 anos.
Assim, a segunda vinda  anterior ao milnio (pr-milenista). Os
pr-milenistas ensinam que na segunda vinda de Cristo, os santos
que estiverem vivos sero arrebatados ao passo que os santos
mortos sero levantados dentre os mortos. Todos esses santos
recebero corpos glorificados e imortais. Eles encontraro Cristo
nos ares e retornaro com Ele a fim governar a terra por 1000 anos.
Esse perodo de 1000 anos ser de paz e justia mundial. No final
desse perodo, Satans ser solto de sua priso para enganar as
naes. Inmeros exrcitos se rebelaro e atacaro Cristo e os
santos em Jerusalm; esses exrcitos sero ento destrudos por
fogo do cu. Aps a derrota desses exrcitos rebeldes, acontecer a
ressurreio e o julgamento final; ento comear o estado eterno.
Em resumo, essa  a essncia do pr-milenismo; h muitas
variaes. Entre os pr-milenistas h os que defendem um
arrebatamento pr-tribulacionista, medo-tribulacionista e ps-
tribulacionista. Os pr-milenistas dispensacionalistas colocam o
arrebatamento no na segunda vinda, mas no princpio da
tribulao de sete anos.


1. O mito da interpretao literal vs. no-literal

Os pr-milenistas alegam defender uma interpretao literal da
Escritura, ao passo que acusam os seus oponentes teolgicos (e.g.,
ps-milenistas) de terem a tendncia de espiritualizar as passagens
profticas. A verdade  que pr-milenistas, amilenistas e ps-
milenistas - todos eles - crem que a Escritura deve ser interpretada
literalmente em alguns casos e simbolicamente em outros,
dependendo do contexto da passagem e da inteno do autor. Aos
seus leitores, os autores pr-milenistas dizem interpretar a Bblia
literalmente. Mas se voc ler os seus livros, cenas com arcos, flechas
e cavalos tornam-se futuras batalhas com tanques, helicpteros e
aeronaves. A marca da besta se torna um chip de computador ou um
                                                                            4


cdigo de barra. Os gafanhotos do abismo (Ap 9) supostamente se
tornam ataques de helicpteros, e assim por diante. H algum autor
ou comentarista pr-milenista que creia que a besta do mar com
sete cabeas e dez chifres (Ap 13)  uma criatura literal? O ponto :
pr-milenistas, amilenistas e ps-milenistas - todos eles -
interpretam algumas passagens simbolicamente e outras
literalmente. A nica forma de determinar a melhor interpretao 
usar slidos princpios bblicos de interpretao ao examinar as
passagens em questo. Isso significa que o contexto, a audincia, a
inteno do autor, o tempo da escrita, e assim por diante, devem ser
considerados. Alm do mais, a Escritura no pode contradizer a
Escritura; portanto, quando duas passagens parecem estar em
conflito entre si, a mais clara deve ser usada para interpretar a
menos clara. Esse princpio  muito importante, pois h muitas
passagens claras no Novo Testamento que ensinam algo sobre a
segunda vinda de Cristo.

O pr-milenismo  baseado numa interpretao literal de
Apocalipse 20. A maioria dos pr-milenistas desconhece uma
interpretao ps-milenista. Muitos pr-milenistas so informados
que os fundamentalistas so pr-milenistas, enquanto os telogos
liberais so ps-milenistas. A maioria dos pr-milenistas no sabe
que a viso dominante entre os protestantes, da Reforma at o final
de 1800, era de fato, ps-milenista. O pr-milenismo constitui-se na
perspectiva dominante aps a publicao, em 1909, da Bblia de
Referncia Scofield. Os pr-milenistas so de forma generalizada
desconhecedores da abundncia dos srios problemas teolgicos e
exegticos que acompanham a sua interpretao.


2. O dia do Senhor

A posio pr-milenista diz que Cristo vai retornar e que os santos
sero ressuscitados; aps 1000 anos de um governo terreno ir
ocorrer o juzo final e os mpios sero julgados. Note que os pr-
milenistas crem que h um intervalo de 1000 anos entre a segunda
vinda de Cristo e o juzo final. A ressurreio dos santos e a
ressurreio dos mpios so tambm separadas por 1000 anos. A
Bblia ensina que h um intervalo de 1000 anos entre a segunda
vinda de Cristo e o juzo final? Ensina que h um intervalo de 1000
anos entre a ressurreio dos retos e dos mpios? Realmente no h
intervalo entre esses eventos. Na verdade, como ser demonstrado,




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a Bblia ensina que esses eventos vo tomar lugar no mesmo dia.
Assim, o pr-milenismo  teolgica e biblicamente impossvel.

Os evangelhos e as epstolas expem uma ilustrao unificada da
segunda vinda e do juzo protagonizados por Jesus Cristo. A
segunda vinda de Cristo, o arrebatamento, a ressurreio dos retos e
dos mpios e o juzo dos mesmos devem todos ocorrer no mesmo
dia. O apstolo Paulo prega que quando Cristo retornar, ir trazer
vingana sobre o mpio. O mpio ser alvo da destruio eterna, mas
Cristo ir morar com os santos. Todos os que crem vo admirar e
glorificar a Cristo. Quando isso vai ocorrer? "No dia" (singular)
"quando o Senhor Jesus for revelado l dos cus, com os seus anjos
poderosos, em meio a chamas flamejantes sobre aqueles que no
conhecem a Deus e os que no obedecem ao Evangelho do nosso
Senhor Jesus Cristo. Eles sofrero a pena da destruio eterna, a
separao da presena do Senhor e da majestade do seu poder, no
dia em que ele vier para ser glorificado em seus santos e admirado
em todos os que creram" (2Ts 1.7-10). 1 H um intervalo de 1000
anos entre a destruio dos mpios e a glorificao dos santos? No,
ambos ocorrem no mesmo dia. Cristo esmagar os mpios do Seu
trono em Jerusalm? No, Ele  revelado dos cus. No dia final
Cristo vem do cu para julgar todos os homens, retos e mpios. "A
recompensa dos retos e a punio dos mpios so eventos inter-
relacionados no tempo, ocorrendo, ambos, imediatamente com a
vinda do Senhor. Certamente essa passagem deve tornar
perfeitamente claro que no h arrebatamento secreto seguido de
um intervalo de sete anos por uma revelao visvel do Senhor e da
Sua glria no mundo. Certamente  tambm perfeitamente claro
que desde que a vinda do Senhor traz sobre o mpio `destruio
eterna  parte da presena do Senhor', no h mpios sobreviventes
com a Sua vinda para serem governados num milnio por vir. Mas
precisam existir mpios sobrevivendo, segundo a perspectiva pr-
milenista. 2

Ensina o apstolo Paulo que Cristo ir voltar a terra e ento
estabelecer um reinado de 1000 anos, seguindo-se ento um
julgamento final? No, no ensina. Paulo prega que a segunda vinda
de Cristo e a glorificao dos santos vo ocorrer imediatamente
antes do estado final. Paulo no prega a existncia de um intervalo
de 1000 anos entre a segunda vinda e o trmino da histria do

1Todas as citaes seguem a NVI.
2 William J. Grier, The Momentous Event, p. 55, citado em Loraine Boettner, The Millennium
(Philadelphia: Presbyterian and Reformed, 1957), pp. 166-67.



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homem na terra: "Mas cada um por sua vez: Cristo, o primeiro;
depois, quando ele vier, os que lhe pertencem. Ento vir o fim,
quando Ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter destrudo
todo domnio, autoridade e poder. Pois  necessrio que ele reine
at que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus ps. O
ltimo inimigo a ser destrudo  a morte... Irmos, eu lhes declaro
que carne e sangue no podem herdar o Reino de Deus, nem o que 
perecvel pode herdar o imperecvel. Eis que eu lhes digo um
mistrio: Nem todos dormiremos, mas todos seremos
transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som
da ltima trombeta. Pois a trombeta soar, os mortos ressuscitaro
incorruptveis e ns seremos transformados. Pois  necessrio que
aquilo que  corruptvel se revista de incorruptibilidade, e aquilo
que  mortal, se revista de imortalidade... ento se cumprir a
palavra que est escrita: `A morte foi destruda pela vitria'" (1Co
15.23-25, 50-54). Cristo retorna, os santos recebem corpos
glorificados, imortais: "ento vir o fim". No h um reino terreno
de 1000 anos, pois quando Cristo retorna, entrega o reino ao Pai.
Alm disso, aps o retorno de Cristo a morte  completamente
destruda e abolida. Como pode haver convertidos no milnio que
vivem, tm filhos e morrem, se a morte  abolida com a segunda
vinda? "O propsito pleno da ltima poro desse captulo 
mostrar que aps a ressurreio os corpos dos crentes sero como o
corpo glorioso do Filho de Deus, preparados para uma realidade
celestial e no, terrena." 3

O apstolo Paulo prega que tanto retos quanto mpios sero
julgados no mesmo dia: "Contudo, por causa da sua teimosia e do
seu corao obstinado, voc est acumulando ira contra si mesmo,
para o dia da ira de Deus, quando se revelar o seu justo
julgamento. Deus `retribuir a cada um conforme o seu
procedimento': Ele dar vida eterna aos que, persistindo em fazer o
bem, buscam glria, honra e imortalidade. Mas haver ira e
indignao para os que so egostas, que rejeitam a verdade e
seguem a injustia" (Rm 2.5-8). O apstolo inspirado no faz
qualquer meno a um intervalo de 1000 anos entre o julgamento
dos retos e o dos mpios. A segunda vinda de Cristo  sempre
associada na Bblia com o julgamento final de todos os homens. Isso
vai ocorrer "no dia em que Deus julgar os segredos dos homens,
mediante Jesus Cristo, conforme o declara o meu evangelho" (Rm
2.16).

3 Charles Hodge, A Commentary on I & II Corinthians (Carlisle, PA: Banner of Truth, 1978
[1857]), pp. 329-30.



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O apstolo Paulo sempre ensina em suas epstolas que a segunda
vinda de Cristo, a ressurreio dos retos e dos mpios, a recompensa
aos retos e a condenao dos mpios ocorrem no mesmo dia  o dia
do Senhor. Ele diz, "Irmos, quanto aos tempos e pocas, no
precisamos escrever-lhes, pois vocs mesmos sabem perfeitamente
que o dia do Senhor vir como ladro  noite. Quando disserem:
`Paz e segurana!', a destruio vir sobre eles de repente, como as
dores de parto  mulher grvida; e de modo nenhum escaparo.
Mas vocs, irmos, no esto nas trevas, para que esse dia os
surpreenda como ladro... Porque Deus no nos destinou para a ira,
mas para recebermos a salvao por meio de nosso Senhor Jesus
Cristo. Ele morreu por ns para que, quer estejamos acordados quer
dormindo, vivamos unidos a Ele" (1Ts 5.1-4, 9-10). "Paulo relaciona
a segunda vinda com a ressurreio e a subseqente glria dos
santos e a repentina destruio dos mpios. Sem sombra de dvida,
esse dia tem referncia a dois aspectos: - os crentes devem ficar
atentos (1Ts 5.4-10), pois ento recebero salvao em sua
plenitude (v. 9), ento `vivero unidos a ele' (v. 10); ao passo que o
mesmo dia trar ao fim a falsa segurana dos descrentes, em sua
`destruio repentina'" 4 Paulo no diz aos tessalonicenses que um
arrebatamento secreto vai tomar lugar sete anos antes da segunda
vinda. O arrebatamento ocorre no mesmo dia em que os mpios so
julgados. 5 Se os mpios sofrem `repentina destruio' e os santos
so glorificados, ningum resta para que povoe a terra ao longo do
reinado de 1000 anos pr-milenista. Aps os cristos receberem os
seus corpos celestiais glorificados, no casaro nem tero filhos.
Quem, ento, estar aqui para rebelar-se contra Cristo no trmino
do reinado terreno de 1000 anos? Os santos glorificados certamente
no podem se rebelar, e os descrentes esto todos sofrendo
tormentos no lago de fogo.

O apstolo Pedro concorda plenamente com o ensino de Paulo
sobre a segunda vinda de Cristo. Em sua segunda epstola [Pedro]
trata com os zombadores que negam a segunda vinda de Cristo: "`O

4 Grier, p. 54, citado por Boettner, p. 167.
5 "Certamente que Paulo no teria escrito essas palavras se tivesse em mente um arrebatamento
secreto. No h nada aqui dizendo que os cristos sero arrebatados sete anos antes do dia do
julgamento. Antes, recebero libertao da tribulao e do sofrimento `com a revelao do
Senhor Jesus Cristo com anjos, no cu, no Seu poder em chamas flamejantes, trazendo vingana
queles que no conhecem a Deus e no seguem o evangelho'" (Boettner, pp. 167-68). Se os
cristos devem ser arrebatados secretamente sete anos antes da segunda vinda de Cristo, ento
por que as Escrituras repetidamente dizem que os cristos devem aguardar na terra at a
revelao de Cristo? A ressurreio dos justos e dos mpios e o julgamento final ocorrem no
mesmo dia (o dia do Senhor, Mt 13.47-50; 25.31-34, 41, 46; Jo 5.28-29; 6.3-40, 44, 54; Rm 2.5-
8, 16; 1Tm 5.1-4, 9-10, etc.).



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que houve com a promessa da sua vinda? Desde que os
antepassados morreram, tudo continua como desde o princpio da
criao'... Pela mesma palavra os cus e a terra que agora existem
esto reservados para o fogo, guardados para o dia do juzo e para a
destruio dos mpios... O dia do Senhor, porm, vir como ladro.
Os cus desaparecero com um grande estrondo, os elementos sero
desfeitos pelo calor, e a terra, e tudo o que nela h, ser desnudada.
Visto que tudo ser assim desfeito, que tipo de pessoas  necessrio
que vocs sejam? Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o
dia de Deus e apressando a sua vinda. Naquele dia os cus sero
desfeitos pelo fogo, e os elementos se derretero pelo calor" (2Pe
3.4, 7, 10-12). Pedro ensina que a segunda vinda, o dia do
julgamento e o incio do estado final ocorrem contemporaneamente.
Assim como Paulo, Pedro diz que esses eventos ocorrem no "dia do
Senhor". De acordo com o pr-milenismo Cristo no vem no dia do
julgamento, pois Ele j est na terra governando de Jerusalm. Mas
Pedro diz que quando Cristo retorna, ocorre o julgamento e ento os
cus e a terra so destrudos. O pr-milenista cr que Cristo vai
retornar e governar a terra por 1000 anos antes da destruio dos
elementos. Assim, a considerao de Pedro a respeito da vinda de
Cristo contradiz totalmente a doutrina pr-milenista.

Os pr-milenistas ensinam que h um intervalo de 1000 anos entre
a ressurreio dos retos e a ressurreio dos mpios. Ensinam que a
ressurreio corporal dos mpios ocorre ao trmino do milnio. Mas
as parbolas de Jesus Cristo contradizem totalmente a doutrina pr-
milenista. 6 Na parbola do joio e do trigo Jesus disse que ambos
crescero juntos at a colheita: "Deixem que cresam juntos at a
colheita. Ento direi aos encarregados da colheita: Juntem primeiro
o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois juntem o
trigo e guardem-no no meu celeiro" (Mt 13.30). A colheita
obviamente se refere ao julgamento final. "Finalmente a separao
ser tal que todos os mpios sero lanados ao fogo eterno, e os
piedosos elevados ao cu". 7

6 Quando Jesus explicou essa parbola aos Seus discpulos, em Mt 13.36-43, indicou a ocasio
em que a colheita tomaria lugar. Ele disse que a colheita  o fim dos tempos, e que os ceifeiros
so anjos. A fim de impedir qualquer idia acerca de uma colheita parcial antes da colheita
total, foi usado o termo grego sunteleia (v. 39). "O termo `fim'  traduzido do grego `sunteleia,'
significando plenitude. De acordo com o Young's Analytical Concordance, `sunteleia'  usado
apenas seis vezes no Novo Testamento. Sempre designa o Dia do Julgamento, isto , o fim do
mundo... O uso do termo grego `sunteleia' em cada um desses versculos absolutamente descarta
a possibilidade dos santos serem retirados do mundo antes da plenitude dos tempos" (Boettner,
pp. 168-69).
7
  David Dickson, A Brief Exposition of the Evangel of Jesus Christ According to Matthew
(Edinburgh: Banner of Truth, 1981 [1647], p. 189). Jesus ensinou a mesma coisa na parbola da



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Em Mateus 25 Jesus instruiu seus discpulos acerca da segunda
vinda: "Quando o Filho do homem vier em sua glria, com todos os
anjos, assentar-se- em seu trono na glria celestial. Todas as
naes sero reunidas diante dele, e ele separar umas das outras
como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocar as ovelhas 
sua direita e os bodes  sua esquerda. Ento o Rei dir aos que
estiverem  sua direita: `Venham, benditos de meu Pai! Recebam
como herana o Reino que lhes foi preparado desde a criao do
mundo'... Ento ele dir aos que estiverem  sua esquerda:
`Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o
Diabo e os seus anjos'... E estes iro para o castigo eterno, mas os
justos para a vida eterna" (Mt 25.31-34, 41, 46). Cristo descreveu
um julgamento geral de todos os homens, no apenas dos mpios.
Ele colocou o julgamento final imediatamente aps o Seu retorno,
no 1000 anos aps o Seu retorno. "A mdia dos cristos pensa que
Mt 25.31-46  uma figura do Julgamento Final. E eles esto certos.
O pr-milenista precisa explicar essa passagem  parte, pois ela no
se ajusta  sua viso proftica. Em sua interpretao, precisa
renunciar  interpretao `literal' da qual tanto fala. Ele precisa
dizer que `todas as naes' no so `todas as naes', que as naes
que esto a existem apenas `representativamente'. No h nada na
passagem que indique isso.  uma clara figura do Julgamento
ltimo e Universal." 8

Jesus ensinou claramente que haver uma ressurreio geral na
qual todos os homens sero elevados no mesmo dia. Ele no disse
que alguns sero elevados e que o resto ser elevado s aps 1000
anos (ou, segundo os dispensacionalistas, 1007 anos): "No fiquem
admirados com isto, pois est chegando a hora em que todos os que
estiverem nos tmulos ouviro a sua voz e sairo  os que fizeram o
bem ressuscitaro para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitaro
para serem condenados" (Jo 5.28-29). A idia que a ressurreio
dos retos deve ocorrer 1000 anos (ou 1007 anos) antes do fim do
mundo  desmentida por Jesus mais quatro vezes no captulo 6 de
Joo: "E esta  a vontade daquele que me enviou: que eu no perca
nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no ltimo dia.

rede: "O Reino dos cus  ainda como uma rede que  lanada ao mar e apanha toda sorte de
peixes. Quando est cheia, os pescadores a puxam para a praia. Ento se assentam e juntam os
peixes bons em cestos, mas jogam fora os ruins. Assim acontecer no fim desta era. Os anjos
viro, separaro os perversos dos justos e lanaro aqueles na fornalha ardente, onde haver
choro e ranger de dentes" (Mt 13.47-50). Seu ensino  que o julgamento de todos os homens,
tanto bons quanto maus, tomar lugar no fim dos tempos. Os bons iro ao cu e os mpios iro
ao inferno. Eles no sero separados antes do julgamento final.
8 J. Marcellus Kik, Matthew Twenty Four, p. 94, citado em William E. Cox, Biblical Studies in

Final Things (Philipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed, 1966), p. 151.



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Porque a vontade de meu Pai  que todo aquele que olhar para o
Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no ltimo
dia" (Jo 6.39-40; cf. 44, 54). O ltimo dia  o dia do julgamento.
"Claramente no pode haver outros dias aps o ltimo dia". 9




9 Boettner, p. 169. "A resposta dispensacionalista a essas objees  argumentar que haver um

arrebatamento secreto antes da tribulao de sete anos. Todos os cristos sero removidos da
terra nessa ocasio. Mas ao longo da tribulao de sete anos haver na terra uma converso
macia de judeus. Esses santos ps-arrebatamento tero filhos e assim iro originar novos
crentes no-glorificados para uma ressurreio e julgamento gerais no fim do milnio. O
problema com essa viso  que a Bblia no ensina a ocorrncia de um arrebatamento secreto
sete anos antes da segunda vinda de Cristo. Em 2 Tessalonicenses 1.5-10, Paulo diz que o mesmo
dia em que Cristo vier para ser glorificado pelos Seus santos  precisamente o mesmo dia em
que Ele retorna `em chamas flamejantes' para julgar os mpios. Em 2 Tessalonicenses 1.5-10,
Paulo conforta os santos da igreja de Tessalnica com a esperana abenoada do alvio que tero
juntamente com ele, na ocasio do retorno de Cristo em chamas flamejantes a fim de punir
aqueles que traziam tribulao  igreja. No entanto, de acordo com as suposies
dispensacionalistas, essa passagem no pode estar se referindo  bendita esperana dos cristos.
No pensamento dispensacionalista no h vnculo entre o julgamento punitivo e o retorno de
Cristo  Sua igreja, que  o que constitui o arrebatamento secreto." (Curtis Crenshaw e Grover E.
Gunn, III, Dispensationalism: Today, Yesterday, and Tomorrow [Memphis, TN: Footstool,
1985], p. 422). Os dispensacionalistas alegam que "a bendita esperana" na Escritura refere-se
ao arrebatamento secreto. No entanto, Paulo coloca a sentena "bendita esperana" em
associao com a "gloriosa manifestao" de Cristo, em Tt 2.13. No entender de Paulo o
arrebatamento e a visvel e notria segunda vinda de Cristo so concomitantes; no so
separados por sete anos. Alm disso, 1Ts 4.16 explicitamente ensina que o arrebatamento  um
evento notrio, no secreto: "Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta
de Deus, o prprio Senhor descer dos cus, e os mortos em Cristo ressuscitaro primeiro." Se o
arrebatamento fosse ocorrer sete anos antes da segunda vinda de Cristo, ento qualquer poderia
calcular o ano, ms e dia da Sua segunda vinda. Mas Jesus disse que "quanto ao dia e  hora" da
Sua vinda, ningum sabe (Mc 13.32). No h sequer um trao de evidncia na Bblia acerca de
um arrebatamento secreto sete anos antes da segunda vinda visvel de Cristo. A teoria do
arrebatamento secreto no pode ser encontrada na igreja antes de 1830. A Bblia ensina que o
arrebatamento, o julgamento geral e a segunda vinda, todos ocorrero no mesmo dia: "o dia do
Senhor". Aps um cuidadoso estudo de todas as citaes, palavras e versculos relacionados ao
arrebatamento e  segunda vinda, Oswald T. Allis escreveu: "A questo que se defronta  essa.
Se a distino entre o arrebatamento e o aparecimento  tal qual um grande momento como
alegam os dispensacionalistas, como podemos justificar o lapso de Paulo em no fazer distino
clara entre eles? E o lapso dos outros escritores, Pedro, Tiago e Joo, por fazerem o mesmo?
Paulo era um lgico. Ele era capacitado para fazer distines ntidas. Se tivesse procurado, ou
considerado importante, distinguir esses eventos entre si, teria feito isso mui facilmente. Por
que ento ele usou uma linguagem que os dispensacionalistas devem admitir ser confusa?
Feinberg [um notvel acadmico dispensacionalista] fez a surpreendente declarao relativa s
trs palavras que temos em foco: `Conclumos, ento, que a partir de um estudo dos termos
gregos em si, a distino entre a vinda do Senhor para os santos e com os santo no deve ser
acatada' (Premillennialism or Amillennialism? p. 207). Tal reconhecimento levanta a questo se
a distino em si  vlida. Se a distino  relevante, a linguagem ambgua de Paulo , devemos
dizer com reverncia, injustificvel. Se a distino  irrelevante, a preciso da declarao seria
totalmente desnecessria. Conclumos, portanto, que a terminologia do Novo Testamento e
especialmente a de Paulo no apenas deixa de provar a insistente distino alegada pelos
dispensacionalistas mas tambm, por conta da sua ambigidade, aponta clara e
inequivocamente que uma tal distino no existe" (Prophecy and the Church [Philipsburg, NJ:
Presbyterian and Reformed, 1974], pp. 184-85).



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3. A falcia cronolgica

A posio pr-milenista relativa a Apocalipse 19 e 20 diz que o
captulo 19 descreve a segunda vinda de Cristo, ao passo que o
captulo 20 descreve o reino de Cristo na terra. Realmente, a leitura
casual desses dois captulos parece tornar plausvel a posio pr-
milenista. Mas fazendo-se uma anlise cuidadosa dos dois captulos
ficar claro que a posio pr-milenista simplesmente no procede.
A abordagem pr-milenista, "literalista", desses captulos  auto-
contraditria e envolve dificuldades interpretativas intransponveis.

A posio pr-milenista diz que os eventos do captulo 20 seguem
cronologicamente os eventos do captulo 19. Na segunda metade do
captulo 19 Cristo retorna e julga as naes, ento no captulo 20 Ele
reina sobre as naes. Mas se o captulo 19  tomado literalmente,
no h naes para serem governadas por Cristo no captulo 20.
"De sua boca sai uma espada afiada, com a qual ferir as naes.
`Ele as governar com cetro de ferro.' Ele pisa o lagar do vinho do
furor da ira do Deus todo-poderoso... Vi um anjo que estava em p
no sol e que clamava em alta voz a todas as aves que voavam pelo
meio do cu: `Venham, renam-se para o grande banquete de Deus,
para comerem carne de reis, generais e poderosos, carne de cavalos
e seus cavaleiros, carne de todos  livres e escravos, pequenos e
grandes.'... Os demais foram mortos com a espada que saa da boca
daquele que est montado no cavalo. E todas as aves se fartaram
com a carne deles." (Ap 19.15-21). Os pr-milenistas dizem que isso
obviamente se refere a uma batalha literal. H corpos de mortos no
campo de batalha, e as aves est se fartando com a sua carne. Mas
se o captulo 19  interpretado literalmente, o captulo 20 no faz
qualquer sentido. O versculo 3 diz que Satans  lanado no
abismo, "para assim impedi-lo de enganar as naes". Como
Satans pode enganar as naes no captulo 20 se elas foram
justamente eliminadas por Cristo no final do captulo 19? O relato
da destruio por Cristo daqueles que se opuseram a Ele no captulo
19  total: o versculo 19 diz que as aves se fartaro da carne de
todas as pessoas, o versculo 21 diz que os demais foram mortos. A
passagem enfatiza que Cristo destruir todos os Seus opositores.
Quando a guerra termina ningum  preservado; no h focos de
resistncia. Se Cristo eliminou todas as naes e todos os mpios
esto mortos, como Ele pode ento governar as naes no captulo
20? Esse captulo admite que todas as naes ainda existem e que
Cristo as governa. Se as naes so completamente destrudas no



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captulo 19 e no captulo 20 ainda esto intactas, ento claramente o
entendimento pr-milenista desses captulos  equivocado.

O entendimento pr-milenista, literalista, da batalha final no fim do
milnio tem tambm srios problemas. Apocalipse 20.8 fala dos
vastos exrcitos de Gogue e Magogue. Todas as naes do mundo
reunir-se-o no Oriente Mdio para uma batalha literal contra
Cristo e os santos constitudos em Jerusalm. Os pr-milenistas
pregam que se trata de uma batalha real com armas, tanques,
avies, helicpteros e assim por diante. Mas essa interpretao 
absurda. O Cristo ressuscitado com o Seu corpo espiritual
glorificado e os santos imortais glorificados no podem ser
ameaados por armas fsicas. Cristo e os santos no podem ser
mortos; eles j so imortais! Eles no podem nem mesmo ser
machucados por tais armas. Aps a Sua ressurreio, Cristo pde
passar por paredes slidas (Jo 20.19). Projteis, bombas, lana-
chamas etc, no podem ameaar Cristo e os santos. Todas as armas
do mundo no podem ferir ou ser uma ameaa mesmo a um s
crente glorificado ressurreto, sem falar do Cristo ressurreto, todo-
poderoso. A idia de que Jesus Cristo (que  Deus, possuindo todo o
poder e autoridade no cu e na terra) poderia ser intimidado por
tanques e armas terrenos  pattica.


4. Governo terreno ou celeste?

A Bblia ensina que Cristo governar de uma Jerusalm terrena na
Palestina? O reino de Cristo  adiado at a segunda vinda? Jesus
disse "O meu Reino no  deste mundo" (Jo 18.36). O reino de
Cristo no procede de uma Jerusalm terrena, mas celeste. Ela no
inicia na segunda vinda, mas iniciou na Sua ressurreio. "Ento,
Jesus aproximou-se deles e disse: `Foi me dada toda a autoridade
nos cus e na terra'" (Mt 28.18). Paulo disse que Cristo "foi
declarado [ou apontado] Filho de Deus com poder, pela sua
ressurreio dentre os mortos" (Rm 1.4). Pedro disse que Cristo foi
entronizado como rei no cu imediatamente aps a ressurreio: "O
SENHOR disse ao meu Senhor: Senta-te  minha direita at que eu
ponha os teus inimigos como estrado para os teus ps" (At 2.34-35).
Daniel profetizou que nos dias do quarto imprio (o imprio
Romano) Deus estabelecer "um reino que jamais ser destrudo"
(Dn 2.44).

Jesus pregou que o reino de Deus estava prximo (Mt 3.2; Mc 1.15;
Lc 4.43). Ele no deu indicao de um reinado terreno ao menos

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2000 anos  frente, no futuro, mas uma declarao de um reino
espiritual que iniciaria aps a Sua ressurreio. Se Cristo tivesse em
mente um reino terreno, por que rejeitou enfaticamente o reinado
oferecido pelos judeus? "Sabendo Jesus que pretendiam proclam-
lo rei  fora, retirou-se novamente sozinho para o monte" (Jo 6.15).
"Desde o incio Jesus no apenas no encorajou, mas
definitivamente se ops  expectativa dos judeus de que um reino
judaico terreno de glria, tal como Davi estabeleceu sculos antes,
seria estabelecido." 10 A Bblia no ensina que devemos esperar e
ansiar por um tempo quando Cristo governar de uma Jerusalm
terrena; antes, afirma que Cristo j  rei e que j governa do cu:
"Esse poder ele [Deus] exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos
mortos e fazendo-o assentar-se  sua direita, nas regies celestiais,
muito acima de todo governo e autoridade, poder e domnio, e de
todo nome que se possa mencionar, no apenas nesta era, mas
tambm na que h de vir" (Ef 1.20-21). "Reis colocados a Sua
direita, aqueles que Ele designou para O honrarem ou se associarem
com o propsito do domnio." 11 Jesus Cristo, o Redentor exaltado,
tem domnio universal. O que Ele realizou definitivamente pela Sua
morte e ressurreio  agora progressivamente realizado por toda a
terra.

Se algum interpreta Apocalipse 20.9 literalmente (com Cristo
governando de uma Jerusalm terrena), ento optou por uma
interpretao que contradiz o restante do Novo Testamento. Paulo
escreveu, "A nossa cidadania, porm, est nos cus" (Fp 3.20). Os
cristos pertencem a Jerusalm que  de cima. A Jerusalm terrena
corresponde a Hagar, e est em escravido (Gl 4.26). Os cristos so
exortados a irem alm, fora da Jerusalm terrena, "Pois no temos
aqui nenhuma cidade permanente, mas buscamos a que h de vir"
(Hb 13.14). Devem os santos aguardar com interesse Cristo instituir
uma Jerusalm terrena? De forma alguma! "Em vez disso,
esperavam eles uma ptria melhor, isto , a ptria celestial. Por essa
razo Deus no se envergonha de ser chamado o Deus deles, e lhes
preparou uma cidade" (Hb 11.16).

A que, ento quer se referir o grupo de santos e a cidade amada em
Apocalipse 20.9? "O grupo de santos e a cidade amada, portanto,
certamente representa a igreja e o povo de Deus. Eles representam
toda a igreja, em todo o mundo e mesmo no cu." 12 Joo diz que a
10 Allis, p. 71.
11 Charles Hodge, A Commentary on Ephesians (Carlisle: PA: Banner of Truth, 1964 [1856]) p.
48.
12 Herman Hoeksema, Behold He Cometh (Grand Rapids: Reformed Free, 1986 [1969]), p. 654.




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nova Jerusalm  a noiva adornada de Cristo (Ap 21.2); essa  uma
referncia bvia  igreja. Ele tambm se refere  nova Jerusalm
como a esposa do Cordeiro (Ap 21.9-10). Antes da segunda vinda, a
esposa do Cordeiro (a noiva adornada, a nova Jerusalm) existe no
cu e na terra. Assim Joo est descrevendo numa linguagem
apocalptica o ataque final das foras de Satans contra a igreja. "As
naes de Gogue e Magogue, cercando e dirigindo-se  batalha
contra a cristandade no sentido mais amplo certamente intentam
destruir `a cidade amada', a causa de Cristo, e tornar o paganismo
supremo no mundo. Nisso se deleitam em sua perversidade e
tornam-se propcios para o julgamento." 13

O pr-milenista vai contestar essa interpretao como sendo no-
literal e, portanto, defeituosa. Mas os pr-milenistas na verdade
assumem de forma literal muito pouco do captulo 20,
espiritualizam livremente quando isso convm ao seu propsito.
Algum realmente acredita que os exrcitos no futuro estaro
cavalgando e usando armas de madeira? Existiro no futuro dois
pases nomeados Gogue e Magogue?  claro que no! "Um axioma
no estudo da Bblia  que a maior parte da mesma exigem
interpretao literal a menos que o contexto ou outra passagem
escriturstica conhecida exige uma interpretao figurada ou
espiritual. Na literatura apocalptica o exato oposto  verdadeiro:
aqui se deve interpretar figurativamente a menos que a
interpretao literal seja imprescindvel... Os escritos apocalpticos
so conhecidos por terem caractersticas definidas, tais como
linguagem figurada, fantasias, numerologia, hiprbole e assim por
diante. Elas so usadas para um propsito  ensinar lies
espirituais ao povo de Deus. Essas caractersticas so usadas de
forma muito parecida com um produtor usando requisitos teatrais e
cenrios. O aspecto importante na visualizao de um drama no 
o requisito teatral mas a mensagem que ajuda a retratar." 14 No
contexto do livro de Apocalipse, que  repleto de simbolismo, deve-
se definir as figuras no a partir do jornal matutino ou da CNN mas
analisando as pores mais claras da Escritura onde muitas das
figuras de Joo so claramente definidas. A Escritura deve ser
usada para interpretar a Escritura. As passagens claras devem ser
usadas para interpretar as obscuras. Os pr-milenistas fazem
justamente o oposto. Sua interpretao de Apocalipse 20 tornou-se
uma camisa de fora dentro da qual todas as passagens claras da
Escritura precisam ser ajustadas. Assim, ao invs do ensino

13   Ibid. p. 655.
14   Cox, p. 159.



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escriturstico simples relativo  segunda vinda de Cristo para julgar
o mundo, no pr-milenismo ocorrem vindas separadas, julgamentos
separados, santos glorificados morando entre homens pecaminosos
e assim por diante. Embora o pr-milenismo seja popular e suas
teorias envolvendo a Rssia, o Oriente Mdio e o anticristo possam
ser excitantes, seus ensinos, infelizmente, tm pouco a ver com a
Escritura.



5. O retorno em chamas flamejantes

Se a Bblia ensina que Cristo no est na terra quando desce fogo do
cu para destruir o mpio no fim do milnio, mas retorna do cu em
chamas flamejantes, ento o pr-milenismo no pode ser
verdadeiro. Por qu? Porque Apocalipse 20.9 relata o fim do
milnio e no o seu incio. "As naes marcharam por toda a
superfcie da terra e cercaram o acampamento dos santos, a cidade
amada; mas um fogo desceu do cu e as devorou." De acordo com o
ensino pr-milenista popular, Jesus e os santos so retidos atrs dos
muros de Jerusalm, cercados por um vasto exrcito. Deus o Pai
ento salva Jesus e os santos destruindo os incomensurveis
exrcitos de Gogue e Magogue (A idia de que o Cristo ressurreto e
os santos glorificados precisam ser salvos de um ataque por armas e
tanques  absurda, como visto acima.) H outros versculos na
Bblia que auxiliam o entendimento dessa passagem? Sim, h
vrios. Escute como o profeta Isaas descreve a segunda vinda de
Cristo: "Vejam! O Senhor vir num fogo, e os seus carros so como
um turbilho! Transformar em fria a sua ira, e em labaredas de
fogo, a sua repreenso. Pois com fogo e com a espada o Senhor
executar julgamento sobre todos os homens" (Is 66.15-16). Paulo
diz que o retorno de Cristo ser "em chamas flamejantes tomando
vingana sobre aqueles que no conhecem Deus" (2Tm 1.8). Pedro
diz "o dia do Senhor vir como ladro, os cus desaparecero com
um grande estrondo, os elementos sero desfeitos pelo calor, e a
terra, e tudo o que nela h, ser desnudada [ser queimada]" (2Pe
3.10). Paulo alerta os cristos de que na ocasio do retorno de
Cristo, suas obras sero testadas pelo fogo: "sua obra ser mostrada,
porque o Dia a trar  luz; pois ser revelada pelo fogo, que provar
a qualidade da obra de cada um. Se o que algum construiu
permanecer, esse receber recompensa. Se o que algum construiu
se queimar, esse sofrer prejuzo; contudo, ser salvo como algum
que escapa atravs do fogo" (1Co 3.13-15). Onde est Cristo quando


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fogo descer do cu no julgamento do mpio? Na terra, em
Jerusalm, como alegam os pr-milenistas? No, Cristo no pode
estar em Jerusalm, pois retorna em chamas flamejantes. 15 Assim,
com base no abundante testemunho bblico, Apocalipse 20.9 se
refere  segunda vinda de Cristo. Por que isso  significativo?
Porque isso significa que Cristo retorna no fim do milnio; a vinda
de Cristo  ps-milenista. Ele no  auxiliado por chamas
flamejantes; Ele retorna em chamas flame-jantes. Se  permitido
que as passagens claras da Bblia interpretem as obscuras, a Bblia
ensina um retorno de Cristo ps-milenista.




15 O apologista cristo Greg Bahnsen lembrou que os pr-milenistas afirmam que Jesus Cristo 

submetido a uma segunda humilhao no fim do milnio. A idia de Cristo e os santos sendo
pressionados, pelos exrcitos de Gogue e Magogue, a se refugiarem por detrs dos muros de
Jerusalm representa nada menos que uma segunda humilhao imposta sobre Jesus Cristo. A
Bblia ensina que Cristo sofreu humilhao uma nica vez. Ele veio  terra para sofrer e morrer
por Seu povo uma nica vez. Nasceu numa manjedoura. Viveu entre pecadores. Esteve sujeito s
tentaes e assaltos de Satans e ao dio do Seu prprio povo. Foi rejeitado pelos Seus
discpulos. Foi preso, torturado e executado como um criminoso comum e colocado numa
sepultura. Sua vida na terra e na ocasio da primeira vinda  traduzida como a Sua humilhao.
Mas uma vez que Cristo levantou dos mortos, entrou em Sua exaltao. Ele  o rei exaltado e
glorificado a quem foi dada "toda a autoridade nos cus e na terra" (Mt 28.18); quem governa do
cu (Ef 1.20); cujo "nome est acima de todo nome" (Fp 2.9-11). Pode Cristo, que tem "todo o
poder" ser submetido a uma segunda humilhao? No, tal idia claramente contradiz o ensino
do Novo Testamento sobre a Sua exaltao. O pr-milenismo no apenas  exegtica, mas 
tambm teologicamente impossvel. (O autor reconhece a sua dvida com os compreensivos
ensaios escatolgicos de Greg Bahnsen.)



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At aqui tem sido demonstrado que o entendimento pr-milenista
do milnio no pode ser verdadeiro, pois contradiz o ensino claro
dos evangelhos e das epstolas quanto a segunda vinda de Cristo, a
natureza do reino, o julgamento final e assim por diante. No 
suficiente meramente refutar uma interpretao da Bblia; devemos
tambm oferecer uma alternativa bblica. Uma alternativa bblica
pode apenas ser obtida permitindo que a Escritura interprete a
Escritura. Apocalipse 20 pode apenas ser entendido se fizer uso das
pores didticas e histricas mais claras ao entendimento da
linguagem simblica de Joo. Tal processo mostrar que os eventos
descritos em Apocalipse 20.1-10 so descritivos do que toma lugar
entre a ressurreio de Cristo e a Sua segunda vinda.



1. O aprisionamento de Satans

"Vi descer dos cus um anjo que trazia na mo a chave do Abismo e
uma grande corrente. Ele prendeu o drago, a antiga serpente, que 
o Diabo, Satans, e o acorrentou por mil anos; lanou-o no Abismo,
fechou-o e ps um selo sobre ele, para assim impedi-lo de enganar
as naes, at que terminassem os mil anos. Depois disso, 
necessrio que ele seja solto por um pouco de tempo" (Ap 20.1-3).

Nesses versculos Joo descreve o aprisionamento de Satans. Uma
vez que Satans  um ser espiritual, a chave e a corrente so
obviamente simbolismos representando uma restrio de poder que
foi imposta sobre ele. 16 O propsito do aprisionamento de Satans 
de "impedi-lo de enganar as naes". A Bblia diz quando isso

16Quando Cristo deu a Pedro as chaves do Reino dos Cus (Mt 16.19), no deu a ele um molho
de chaves; Ele estava falando figurativamente do poder do evangelho. Quando  dito em Ap 1.18
que Cristo tem "as chaves da morte e do Hades", significa que Cristo tem poder sobre a morte e
o Hades. Ele no  um "cordeiro" literal. Satans no  um "drago" literal. A "chave" e a
"corrente" no so literais. "Eles expem a soberania real e o poder dominador do nosso Senhor
Jesus Cristo. As expresses figuradas nos ajudam a entender e a retratar na mente as realidades
espirituais" (J. Marcellus Kik, An Eschatology of Victory [Philipsburg, NJ: Presbyterian and
Reformed, 1971], p. 192).
                                                                            18


ocorreu? Sim, a Bblia ensina que Satans foi derrotado e amarrado
no contexto da primeira vinda de Cristo.

Em Mateus 12.28-29 Jesus especificamente fala aos fariseus que o
Seu controle sobre os demnios prova que Ele amarrou Satans e
que agora est saqueando seus bens: "Mas se  pelo Esprito de
Deus que eu expulso demnios, ento chegou a vocs o Reino de
Deus; Ou, como algum pode entrar na casa do homem forte e levar
dali seus bens, sem antes amarra-lo? S ento poder roubar a casa
dele." O aprisionamento que Jesus faz de Satans no ocorre na
segunda vinda, mas na Sua primeira vinda; esse aprisionamento
prova que o Seu reino  uma realidade presente, no algo distante
no futuro.

Quando Jesus instruiu os seus discpulos sobre a proximidade da
Sua crucificao, disse "Chegou a hora de ser julgado este mundo;
agora ser expulso o prncipe deste mundo. Mas eu, quando for
levantado da terra, atrairei todos a mim" (Jo 12.31-32). Em
Apocalipse 20 Satans  amarrado para que no mais engane as
naes. No evangelho de Joo Jesus diz a mesma coisa em termos
diferentes: Satans  lanado no Abismo e Jesus atrair todas as
pessoas para si. O aprisionamento de Satans por Cristo permite a
Ele saquear a sua casa. A morte e a ressurreio vitoriosas de Cristo
permitiram-lhe conquistar (espiritualmente) todas as naes. "Para
isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo"
(1Jo 3.8). Quando os doze apstolos retornaram de uma misso
evangelstica pela qual tinham autoridade para expulsar demnios,
Jesus disse "Eu vi Satans caindo do cu como relmpago. Eu lhes
dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpies, e sobre todo
o poder do inimigo; nada lhes far dano" (Lc 10.18-19, cf. 9.1).

O autor de Hebreus ensinou que pela morte de Cristo "[Ele]
destrusse aquele que tem o poder da morte, isto , o Diabo" (Hb
2.14). O verbo traduzido como destrusse (katargein) significa
literalmente tornar inoperante, anular ou tornar incuo. "Como
encarnado, ento, Cristo estava apto a morrer; e foi a sua
encarnao que definiu o palco para o desenrolar desse grande
drama csmico que  o ponto central na histria humana e o meio
de livramento do homem do seu terrvel inimigo. Na cruz, o lugar da
morte, se deu o encontro decisivo entre Deus e Satans. O Filho veio
ao mundo exatamente para esse propsito, que pela morte, Sua
morte, pudesse anular o nosso inimigo, o demnio que impunha o




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poder da morte." 17 Cristo definitivamente derrotou Satans e na
cruz limitou o seu poder. "Em Ap 20, um aspecto particular desse
aprisionamento est diante de ns, a saber, a limitao do poder de
Satans para enganar as naes na forma que fazia antes da vinda
de Cristo. A partir da ao longo de todo o perodo da dispensao
entre-adventos Satans foi derrotado de fato. Ele pode ainda agir
como um leo que ruge buscando a quem devorar, mas nesse
particular  um leo enjaulado." 18 O apstolo Paulo concorda: "...
tendo desalojado os poderes e as autoridades, fez deles um
espetculo pblico, triunfando sobre eles na cruz" (Cl 2.15). Paulo
descreve a obra redentora de Cristo como levando "cativos muitos
prisioneiros" (Ef 4.8). A Bblia diz que Satans recebeu o seu golpe
mortal com a primeira vinda de Cristo (Gn 3.15).

O aprisionamento de Satans nos termos em que no mais pudesse
enganar as naes resultou da morte de Cristo no calvrio e coincide
com a expanso do evangelho sobre todas as naes. "Foi-me dada
toda a autoridade nos cus e na terra. Portanto, vo e faam
discpulos de todas as naes" (Mt 28.18-19). Cristo derrotou
Satans e o amarrou; essa limitao do seu poder para enganar as
naes  o que torna a Grande Comisso possvel. Antes de Cristo
vir, a Palavra de Deus e a salvao eram, com raras excees,
limitadas  minscula nao de Israel; Satans tinha controle
religioso sobre os limites vastos da terra. Aps a vinda de Cristo,
Satans foi definitivamente derrotado, e continua a ser refreado 
medida que o evangelho  disseminado por toda a terra. Satans
no pode mais enganar as naes impedindo que ouam o
evangelho. 19

Uma objeo bvia  interpretao discutida acima  a extenso do
milnio. Se o aprisionamento de Satans e o milnio tomam lugar
entre a primeira e a segunda vinda de Cristo, ento como pode o
milnio ser descrito como um perodo de 1000 anos? Cristo morreu
h mais de 2000 anos atrs. Assim sendo o milnio no deveria j
ter chegado ao seu fim h muito tempo atrs? No. O nmero 1000

17 Philip Edgecumbe Hughes, A Commentary on the Epistle to the Hebrews (Grand Rapids:
Eerdmans, 1977), p. 111.
18 Cox, p. 162.
19 David Chilton, The Days of Vengeance, An Exposition of the Book of Revelation (Fort Worth,

TX: Dominion, 1987), p. 506. Chilton nota um segundo motivo para o aprisionamento de
Satans: "impedi-lo de incitar a escatolgica "guerra que finda todas as guerras" - a batalha
final  at que Deus esteja pronto. Quando a Cidade do Reino de Deus est plenamente definida,
ento soltar Satans uma vez mais e permitir que engane as naes para a conflagrao final.
Mas o fogo cair segundo o cronograma divino e no o do Drago. Em cada aspecto, Deus est
controlando os eventos para a Sua prpria glria."



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 simblico e denota um longo e indefinido perodo de tempo.
Chilton esclarece como o nmero 1000  usado na figurao bblica:

   Satans permanece amarrado, diz-nos So Joo, por mil anos 
   um nmero extenso e arredondado. Temos visto que, assim
   como o nmero sete tem uma conotao de plenitude
   qualitativa na linguagem bblica, o nmero dez traz a noo de
   plenitude quantitativa; em outras palavras, mantido
   extensivamente. Um milhar multiplica e intensifica isso (10 x 10
   x 10), para expressar grandes extenses (cf. 5.11; 7.4-8; 9.16;
   11.3, 13; 12.6; 14.1, 3, 20). Assim, Deus reivindica possuir
   "cabeas de gado sobre milhares de colinas" (Sl 50.10).  claro
   que isso no significa que o gado sobre a 1001 colina ainda
   pertence a algum outro. Deus possui todo o gado de todas as
   colinas. Mas refere-se  "milhares" para indicar que h muitas
   colinas e muito gado (cf. Dt 1.11; 7.9; Sl 68.17; 84.10; 90.4).
   Similarmente os mil anos de Apocalipse 20 representam um
   perodo de tempo vasto e indefinido... J dura quase 2000 anos
   e provavelmente vai se estender por muito mais tempo. 20

Alm disso, tem sido demonstrado que Apocalipse 20.9 se refere 
segunda vinda de Cristo. Se os mil anos devem ser tomados
literalmente, ento algum poderia calcular precisamente o ano e
dia exatos da segunda vinda de Cristo. Jesus disse que somente o
Pai sabe qual  esse dia. (Mt 24.36).

Outra objeo  que se Satans est amarrado, por que o mundo
expe um tal estado de confuso? Por que h tanto mal no mundo?
Essa objeo  facilmente respondida pelo texto em si que no diz
que Satans est amarrado em referncia a todo o tipo de atividade,
mas apenas relativo ao engano das naes. Tambm no significa
que Satans no pode exercer o seu engano sobre indivduos dentro
das naes. Satans ainda engana muitas pessoas. "Mas durante o
perodo de aprisionamento de Satans as naes no sero

20 Ibid., p. 506-507. "Os milhares de anos podem ser entendidos como o perodo entre as duas

vindas de Cristo, ou, mais exatamente, entre o retorno do Filho ascendido  glria, concluda a
sua misso na terra, e o aprisionamento de Satans `por um pouco mais de tempo' (versculo 3
acima). Este ltimo feito, no entanto,  o evento final desse perodo, e termina, como temos
visto, com a derrota definitiva de Satans e das suas hostes na ocasio da segunda vinda de
Cristo. Essa  a perspectiva claramente delineada na assero de Hebreus 10.12 s., que `quando
este sacerdote [Cristo] acabou de oferecer, para sempre, um nico sacrifcio pelos pecados,
assentou-se  direita de Deus; da em diante, ele est esperando at que os seus inimigos sejam
colocados como estrado dos seus ps' (cf. Sl 110.1); e isso  precisamente o que So Paulo afirma
quando escreve que ` necessrio que ele reine at que todos os seus inimigos sejam postos
debaixo de seus ps' (1Co 15.25)" (Philip Edgecumbe Hughes, The Book of Revelation,
[Eerdmans, Grand Rapids, MI, 1990], p. 212.)



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completamente enganadas como foi no caso do Egito, Assria,
Babilnia, Prsia, Grcia e Roma. Nunca, at o curto espao de
tempo imediatamente anterior  segunda vinda de Cristo, as naes
seriam enganadas como foram antes da Sua primeira vinda. Para
esse propsito  que Satans foi amarrado." 21

Aqueles que insistem que o aprisionamento de Satans deve
corresponder a uma interrupo total de toda a atividade satnica
omitiram o estudo de Judas 6. Judas revela o que Deus fez aos anjos
que se rebelaram com Satans: "E, quanto aos anjos que no
conservaram suas posies de autoridade mas abandonaram sua
prpria morada, ele os tem guardado em trevas, presos com
correntes eternas para o juzo do grande Dia." Esses anjos foram
descritos como presos a correntes, no entanto sabemos que houve
atividade demonaca por todo o ministrio de Cristo. "Logo, estar
acorrentado no implica cessao da atividade demonaca. Todavia,
Satans, ainda que amarrado, continua o seu trabalho mau. Mas
est amarrado pelo decreto de Deus. Ele no pode enganar as
naes na forma que fez no perodo anterior  vinda de Cristo." 22
Assim, pessoas de todas as tribos, lnguas e naes esto sendo
salvas.


2. O Reino milenar

"Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada
autoridade para julgar. Vi as almas dos que foram decapitados por
causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus. Eles no
tinham adorado a besta nem a sua imagem, e no tinham recebido a
sua marca na testa nem nas mos. Eles ressuscitaram e reinaram
com Cristo durante mil anos. Mas o restante dos mortos no voltou
a viver at se completarem os mil anos. Esta  a primeira
ressurreio. Felizes e santos os que participam da primeira
ressurreio! A segunda morte no tem poder sobre eles; sero
sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinaro com ele durante mil anos"
(Ap 20.4-6).

Esses versculos expem o reino dos santos com Cristo ao longo do
milnio. No versculo 4 Joo descreve aqueles que reinam com
Cristo de duas formas. Numa delas, aqueles santos que governam
com Cristo so descritos como sobre tronos, exercendo julgamento.

21   Kik, An Eschatology of Victory, p. 194.
22   Ibid.



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Essa  uma referncia aos vinte e quatro ancios que esto sentados
sobre vinte e quatro tronos em Apocalipse 4.4 e 11.16. "Os vinte e
quatro ancios de So Joo so a assemblia representativa da
igreja, o Sacerdcio Real. Ao longo da profecia o povo de Deus 
visto reinando como sacerdotes com Cristo. (1.6, 5.10), usando
coroas (2.10, 3.11), possuindo autoridade real sobre as naes (2.26-
27), assentados com Cristo no Seu trono (3.21). Isso tudo 
simbolizado na figura de um presbitrio celestial (4.4): Como reis,
os ancios sentam-se nos tronos; como sacerdotes, so em nmero
de vinte e quatro (cf. 1Cr 24), e usam coroas (cf. Ex 28.36-41)." 23
Numa linguagem simblica Joo descreve o reino espiritual da
igreja ao longo do milnio. A igreja governa do cu no sentido que
os cristos esto posicionalmente em Cristo, com Ele no cu,
sentados no trono (cf. Ef 2.6; Ap 3.21). A igreja obtm toda a sua
autoridade de Cristo, que governa do cu, mas os cristos devem
pr em prtica a Sua Palavra em cada aspecto da sua vida na terra.
Os cristos governam com Cristo e reinam sobre o mundo pela
pregao do evangelho, ensinando e disciplinando as naes. A
igreja  o sal e a luz na terra, difundindo a influncia da Palavra de
Deus at o ponto em que "a terra se encher do conhecimento do
SENHOR, como as guas cobrem o mar" (Is 11.9).

A igreja reina como um corpo coordenado de sacerdotes e reis. O
Novo Testamento claramente ensina que esse reino iniciou com a
primeira vinda. Por isso tambm a igreja  constantemente descrita
como um sacerdcio real: "Vocs, porm, so gerao eleita,
sacerdcio real, nao santa" (1Pe 2.9). Jesus Cristo "nos constituiu
reis e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai" (Ap 1.6). "Tu os
constituste reis e sacerdotes para o nosso Deus" (Ap 5.10).
"Estabelecemos dos versos 1-3, comparados com os versculos claros
do Novo Testamento, que a ocasio do aprisionamento de Satans 
o perodo entre - adventos. Assim, determinar o tempo do
aprisionamento de Satans  definir, ao mesmo tempo, o perodo do
milnio... Quanto ao reino dos santos, Joo por si referiu-se aos
cristos vivos como reis e sacerdotes (Ap 1.6). Certamente um rei 
algum que reina. Paulo fala no tempo passado (Cl 1.13) quando
retrata o presente reino dos santos: `Pois ele nos resgatou do
domnio das trevas e nos transportou para o Reino do seu Filho
amado'. Efsios 2.6 tambm est no tempo passado: `Deus nos




23   Chilton, pp. 508-509.



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ressuscitou com Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares
celestiais em Cristo Jesus.'" 24

Joo incluiu todos os santos martirizados na sua descrio daqueles
que governam com Cristo. Ele escreveu a uma audincia que estava
sofrendo perseguio de morte; assim, enfatizou que os santos
martirizados que negaram submisso em adorao ao imprio
romano tambm reinavam com Cristo. "Se o versculo 4bc  uma
interpretao correta relativa aos mrtires, devemos assumir que o
versculo 4a diz respeito  Igreja no geral. Na sua declarao inicial
Joo declarou que a viso de Daniel recebeu agora o seu
cumprimento. O reino prometido `ao corpo dos santos das Maiores
Alturas', i.e., a Igreja do Filho do homem e Messias Jesus. Os
mrtires so ento selecionados por uma aluso especfica 
situao dos santos da igreja a quem Joo escreve." 25 Todos os
crentes, vivos e mortos, so parte constituinte da igreja e tm parte
no reino de Cristo. "Esse reino dos santos toma lugar no cu ou na
terra? A resposta deve ser bvia: ambos! O trono dos santos est no
cu, com Cristo (Ef 2.6); no entanto, com o seu Senhor, exercitam
governo e domnio sobre a terra (cf. [Ap] 2.26-27; 5-10; 11-15). Os
que reinam com Cristo no Seu reino so todos aqueles que foram
redimidos por Ele, a plena Comunho dos Santos,
independentemente de estarem vivendo ou j mortos... A igreja 
tanto celestial quanto terrena. Similarmente, a esfera de governo da
Igreja inclui a terra, mas  exercida do Trono no cu." 26 Joo quer
confortar os santos que esto vivendo debaixo de severa perseguio
com a declarao que nada  nem mesmo a morte  pode levar
embora deles o governo e o triunfo com Cristo. "... se
perseverarmos, com ele tambm reinaremos" (2Tm 2.12).
"Enquanto Satans est amarrado, h aqueles que participam no
governo de Cristo (Ap 20.4). Os participantes incluem tanto os
santos martirizados no cu (`as almas daqueles que foram
decapitados por seu testemunho') e os santos perseverantes sobre a
terra (`e aqueles que [oitines] no adoraram a besta')." 27 A
gramtica grega define duas classes de pessoas que reinam durante
o milnio: aqueles que esto no cu e aqueles que esto na terra.
Essa passagem refuta o conceito pr-milenista de um reino terreno
imaculado. "O reino que Ele est aqui concedendo a eles no 

24 Cox, pp. 164-65.
25 G. R. Beasley-Murray, The New Century Bible Commentary: Revelation (Grand Rapids,
1974), p. 295.
26 Chilton, p. 514.
27 Kenneth L. Gentry, Jr., He Shall Have Dominion (Tyler, TX: Institute for Christian

Economics, 1992), p. 415-416.



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poltico ou terreno, pois Ele expressamente desprezou um reinado
baseado em pompa ou adorno carnais: `Jesus lhes disse: "Os reis
das naes dominam sobre elas; e os que exercem autoridade sobre
elas so chamados benfeitores. Mas, vocs no sero assim. Ao
contrrio, o maior entre vocs dever ser como o mais jovem, e
aquele que governa, como o que serve"' (Lc 22.25-26). O Seu reino 
um reino espiritual de exerccio espiritual humilde antes que de
uma glria real de cunho poltico." 28


3. A primeira ressurreio

"O restante dos mortos no voltou a viver at se completarem os mil
anos. Esta  a primeira ressurreio. Felizes e santos os que
participam da primeira ressurreio! A segunda morte no tem
poder sobre eles; sero sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinaro
com ele durante mil anos." (Ap 20.5-6).

O apstolo Joo ensina que aqueles que reinam com Cristo ao longo
do milnio experimentaram uma "primeira ressurreio". O resto
dos mortos no viveria at o trmino do milnio. Os pr-milenistas
interpretam essa passagem como que ensinando duas ressurreies
corporais distintas separadas por mil anos. J percebemos, no
entanto, que as passagens claras nos evangelhos e nas epstolas que
tratam da ressurreio do corpo e do julgamento final contradizem
a viso pr-milenista. Apocalipse 20 em si contradiz a interpretao
pr-milenista. O aprisionamento de Satans (vv. 2-3) se deu
durante o primeiro advento de Cristo, e a descida de fogo do cu (v.
9) ocorre durante a segunda vinda. Assim, devemos deixar as
Escrituras definirem o significado da primeira ressurreio. Se uma
ressurreio fsica contradiz o ensino claro de todo o Novo
Testamento, ento Joo est plausivelmente se referindo a uma
ressurreio espiritual. Quando examinamos as Escrituras para ver
se de fato falam de uma ressurreio espiritual encontramos
evidncia abundante de que Joo definitivamente tem em mente
algo que  de ordem espiritual. "Se podemos determinar pela
Escritura no que consiste a primeira ressurreio, teremos dado um
grande passo no entendimento de todo o captulo.  a chave que
destrancar a porta." 29



28   Ibid., p. 485 (nfase no original).
29   Kik, An Eschatology of Victory, p. 180.



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As duas ressurreies s quais se referiu Joo em Apocalipse 20 so
idnticas quelas ressurreies referidas por Cristo e registradas no
prprio evangelho de Joo. Jesus nos diz que h duas ressurreies.
A primeira refere-se  alma e  condicionada pelo ouvir e crer. A
segunda diz respeito ao corpo e se refere  ressurreio no ltimo
dia. "Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e cr naquele
que me enviou, tem a vida eterna e no ser condenado, mas j
passou da morte para a vida. Eu lhes afirmo que est chegando a
hora, e j chegou, em que os mortos ouviro a voz do Filho de Deus,
e aqueles que a ouvirem, vivero" (Jo 5.24-25). "A primeira
ressurreio no diz respeito ao corpo, se refere  alma.  medida
que a palavra de Cristo  aceita por f... a pessoa "tem a vida eterna"
(sobre isso veja 1.4, 3.16) e passou da morte para a vida'; e o que
seria isso seno a primeira ressurreio..." 30 Jesus explica a
segunda ressurreio nos versculos 28 e 29: "No fiquem
admirados com isto, pois est chegando a hora em que todos os que
estiverem nos tmulos ouviro a Sua voz e sairo; os que fizeram o
bem ressuscitaro para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitaro
para serem condenados." "A segunda ressurreio  fsica por
definio. Ter lugar no grande dia da consumao de todas as
coisas." 31

Deus advertiu Ado de que se ele comesse do fruto proibido
certamente morreria. (Gn 2.17) Quando comeu do fruto, Ado
morreu espiritualmente. Por Ado toda a raa humana padeceu e se
tornou morta em "transgresses e pecados" (Ef 2.1). Paulo disse
"Mas a que vive para os prazeres, ainda que esteja viva, est morta"
(1Tm 5.6). Jesus se referiu aos descrentes como "os mortos". "Deixe
que os mortos sepultem os seus prprios mortos" (Mt 8.22; cf. Lc
9.60). "Uma vez que a primeira morte  primariamente a morte da
alma humana,  a alma que precisa ser ressuscitada primeiro.
Conseqentemente devemos esperar encontrar no Novo
Testamento referncias  ressurreio da alma. Isso encontramos
em abundncia." 32 "Sabemos que passamos da morte para a vida
se amarmos os nossos irmos" (Jo 3.14).

O apstolo Paulo diz que os crentes so "ressuscitados" com Cristo:
"quando estvamos mortos em transgresses, [Deus] nos tornou
vivos com Cristo (pela graa sois salvos), e nos ressuscitou com
Cristo e com ele nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo

30 William Hendriksen, The Gospel of John (Grand Rapids: Baker, 1953), 1:201.
31 Ibid.
32 Kik, An Eschatology of Victory, p. 181.




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Jesus" (Ef 2.5-6). A unio dos crentes com Cristo em Sua morte e
ressurreio  a base para a sua regenerao. Assim, quando Paulo
discute o batismo (que  um sinal e selo da regenerao) estabelece
relao entre a ressurreio da alma (regenerao) e a ressurreio
de Jesus Cristo: "foram sepultados com Ele no batismo, e com ele
foram ressuscitados mediante a f no poder de Deus que o
ressuscitou dentre os mortos. Quando vocs estavam mortos em
pecados e na incircunciso da sua carne, Deus os vivificou com
Cristo. Ele nos perdoou todas as transgresses..." (Cl 2.12-13).
"Antes dessa ressurreio final h outra, uma Primeira
Ressurreio: a ressurreio de `Cristo, as primcias'. Ele levantou
dos mortos e ressuscitou todos os crentes com Ele. Note: So Joo
no est dizendo que o crente por si  ressuscitado, mas que tem
parte na Primeira Ressurreio. Ele est partilhando a ressurreio
de Outro  a Ressurreio do Senhor Jesus Cristo." 33 Assim a
primeira ressurreio ocorre definitivamente na ressurreio de
Cristo e ento progressivamente ao longo do milnio,  medida que
as pessoas so regeneradas e crem em Cristo. "Dessa maneira, a
Primeira Ressurreio  espiritual e moral,  a nossa regenerao
em Cristo e unio com Deus, a nossa restaurao em Sua imagem, a
nossa participao na Sua ressurreio. Essa interpretao 
confirmada pela descrio de So Joo daqueles participantes da
Primeira Ressurreio  que corresponde plenamente a tudo o que
em outro lugar ele nos fala acerca dos eleitos: Eles so abenoados
(1.3; 14.13; 16.15; 19.9; 22.7, 14) e consagrados, i.e., santos (5.8; 8.3-
4; 11.18; 13.7, 10; 14.12; 16.6; 17.6; 18.20, 24; 19.8; 20.9; 21.2, 10);
como Cristo prometeu plena fidelidade, a Segunda Morte (v. 14) no
tem poder sobre eles (2.11); e so sacerdotes (1.6; 5.10) que reinam
com Cristo (2.26-27; 3.21; 4.4; 11.15-16; 12.10). Realmente, So Joo
iniciou a sua profecia dizendo aos seus leitores que todos os cristos
so sacerdotes reais (1.6); e a mensagem consistente do Novo
Testamento, como temos visto repetidamente,  que o povo de Deus
est agora sentado com Cristo, reinando em Seu reino (Ef 1.20-22;
2.6; Cl 1.13; 1Pe 2.9). O maior erro na anlise do milnio de Ap 20 
o fracasso em reconhecer que ele fala de realidades presentes da
vida crist... A Primeira Ressurreio est tomando lugar agora.
Jesus Cristo est reinando agora (At 2.29-36; Ap 1.5). E isso
inevitavelmente significa que o milnio tambm est tomando
lugar agora." 34



33   Chilton, p. 517.
34   Ibid., pp. 518-19.



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Como percebido acima, quando Joo usa a expresso "a primeira
ressurreio", est fazendo uso de uma linguagem que cristos
familiarizados com as Escrituras vo automaticamente associar ao
renascimento da alma na regenerao (e.g., "sendo vivificados",
"sendo levantados" e "passando da morte para a vida"). Essa
interpretao est em completa harmonia com o Novo Testamento e
com o contexto de Ap 20. Quem so aqueles que segundo Joo no
precisam temer a segunda morte? So aqueles que nasceram de
novo (isto , os cristos). "Note a semelhana de linguagem com o
que Joo diz em Ap 20.6 que aqueles que tm parte na primeira
ressurreio vo escapar da segunda morte. Que a segunda morte 
espiritual ao invs de fsica  evidente a partir do fato que aqueles
lanados no lago de fogo  que  a segunda morte (Ap 20.24) 
sofrem tormento eterno.  incoerente Joo ter dito que uma
ressurreio fsica previne de uma punio espiritual. Ambos so
espirituais, a primeira ressurreio e a segunda morte." 35 "Felizes e
santos os que participam da primeira ressurreio! A segunda morte
no tem poder sobre eles" (Ap 20.6).


4. O Reino como milnio

Tanto pr-milenistas como ps-milenistas consideram reino e
milnio termos basicamente sinnimos. 36 O ponto principal de
discrdia  se estamos presentemente vivendo no milnio (ou reino)
ou se o milnio est reservado para o futuro, aps a segunda vinda.
Um segundo ponto de discrdia  a natureza do reino. Trata-se de
um reino espiritual no qual as naes so transformadas pela
pregao da Palavra de Deus, ou se trata de um reino literal,
terreno, onde Cristo governa como um ditador sobre as naes por
fora fsica? O milnio e o reino de Cristo so tudo a mesma coisa.
Uma anlise breve do ensino bblico sobre a realeza mediatria de
Cristo prova que estamos vivendo atualmente no reino de Cristo;
no se trata de algo exclusivamente futuro.


5. O perodo do Reino

Na sua explicao proftica do sonho do Rei Nabucodonosor Daniel
revelou que o reino de Cristo seria estabelecido nos dias do imprio
Romano: "Na poca desses reis, o Deus dos cus estabelecer um
35Cox, p. 167.
36Este livro est preocupado com a questo da configurao pr-consumada do reino (anterior
ao estado eterno).



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reino que jamais ser destrudo e que nunca ser dominado por
nenhum outro povo. Destruir todos os reinos daqueles reis e os
exterminar, mas esse reino durar para sempre" (Dn 2.44). A
ampla maioria dos intrpretes (incluindo os dispensacionalistas)
identifica os quatro reinos como (1) a cabea de ouro  o imprio
neo-babilnico; (2) o peito e o brao  o imprio Medo-Persa; (3) o
ventre e os quadris  o imprio grego; (4) as pernas e os ps  o
imprio romano. Daniel diz que a esttua que representa esses
imprios pagos sucessivos ainda estar existindo quando o reino
de Cristo for definido. "Em Daniel 2.31-45, o reino de Cristo 
referido como que descendo  terra como uma pedra a esmagar o
reino do mundo, debaixo do governo de um quarto imprio. Como
j vimos pela passagem, aprendemos que ele cresce at tornar-se
uma grande montanha na terra: `Enquanto estavas observando,
uma pedra soltou-se, sem auxlio de mos, atingiu a esttua nos ps
de ferro e de barro e os esmigalhou... Mas a pedra que atingiu a
esttua tornou-se numa montanha e encheu toda a terra' (Dn 2.34-
35)... Nesse relato figurado temos tanto continuidade sobre o tempo
como desenvolvimento singular: a pedra cresce at tornar-se uma
montanha. Tambm testemunhamos luta e resistncia: a pedra no
final esmaga a esttua. Por fim, nos regozijamos com o seu sucesso:
a esttua foi completamente destruda. Esse desenvolvimento
gradual at a vitria contra a oposio tambm  retratado em
Daniel 7.26, onde testemunhamos a vitria como `o resultado de
muitos golpes antes que de um s golpe.' Esse processo manifesta
uma santificao progressiva uniforme na histria" 37

Os dispensacionalistas pr-milenistas reconhecem que essa
passagem se refere  definio do reino de Cristo (o milnio). Mas
como crem que o milnio ocorrer totalmente num tempo futuro,
precisam fazer uma ginstica exegtica para adequar a viso dentro
do seu sistema de interpretao. Primeiro, precisam ignorar o
progressivo crescimento do reino de Cristo de uma pedra a uma
montanha. A runa do poder mundial gentlico precisa ser plena e
ocorrer em pouco tempo, subitamente, para que se ajuste ao seu
sistema. No entanto Cristo descreve o Seu reino comeando
minsculo e crescendo progressivamente ao longo da histria. (Mt
13.31-33). Segundo, para a passagem se adequar ao conceito de um
reino de ocorrncia totalmente futura, os dispensacionalistas
inventaram a idia de um imprio romano revivido numa ocasio
futura. Eles interpretam a frase "nos dias desses reis" como se
referindo aos dedos dos ps da esttua. Argumentam que os dedos
37   Gentry, p. 251.



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dos ps da esttua e os dez chifres da quarta besta de Daniel 7
representam dez reinos que constituiro a base do imprio romano
restaurado, no futuro. "Assim, alegam eles, o perodo da profecia foi
definido como sendo no a primeira, mas a segunda vinda de
Cristo... Cristo ento vir para os Seus santos: a Igreja ser
arrebatada ao cu e a Pedra cair. Esse ponto de vista precisa ser
rejeitado por ser exegeticamente insustentvel. Faz caso demais do
simbolismo. No temos expressamente dito que h dez dedos. Os
dez reis devem ser oriundos unicamente dos dez chifres de Dn 7.24-
27. Que existem dez dedos  algo meramente inferido do fato que a
esttua aparece na forma de um homem. Alm disso, a esttua no
 chamativa pelos seus dedos, mas pelos seus ps (2.34). Agora os
ps e as pernas devem ser tomados juntos (2.33)... Por ltimo, a
frase nos dias desses reis no podem estar se referindo aos dez
dedos (Gaebelein), pois os dedos em nenhum lugar so
identificados como reis. Nem se referem aos reis da quarta
monarquia, pois no h meno a esse tipo de reinado; os nicos
reis ou reinados mencionados so os quatro imprios." 38 A esttua
representa quatro imprios pagos sucessivos. Eles so visualizados
organicamente, pois cada um deles incorpora o imprio
antecedente. A esttua  uma s. Os reis claramente representam os
quatro reinados simbolizados pela esttua. Isso deveria ser bvio
quando temos em mente que o alvo da viso (Nabucodonosor)  o
primeiro rei. "O reino do Messias... foi instaurado h mais de 1900
anos atrs nos dias dos Csares por Jesus e os Seus apstolos,
crescendo e se expandindo desde ento." 39

H evidncia abundante nos evangelhos de que o reino foi
estabelecido durante a primeira vinda de Cristo. Joo Batista
pregou "Arrependam-se, pois o Reino dos cus est prximo" (Mt
3.2). Quando Jesus iniciou o Seu ministrio pregou "O tempo 
chegado. O Reino de Deus est prximo. Arrependam-se e creiam
nas boas novas!" (Mc 1.15). "Da em diante Jesus comeou a pregar:
`Arrependam-se, pois o Reino dos cus est prximo'" (Mt 4.17). O
fragmento "prximo" significa iminncia no tempo. "O que isso
implicava deve ter ficado claro, ao menos parcialmente, a todos os
judeus. Era o anncio do reino do Messias, o Filho de Davi. O que


38Edward J. Young, Daniel (Carlisle, PA: Banner of Truth Trust, 1949), p. 78.
39Allis, p. 123. O fato do conceito dispensacionalista de um imprio Romano restaurado no ser
amparado por qualquer telogo ou comentarista anterior  inveno do dispensacionalismo no
sculo dezenove deve nos manter altamente cticos acerca dessa viso. Se o que Daniel tinha em
mente era um imprio Romano restaurado, deveramos esperar que algum anterior a J.N.
Darby j tivesse encontrado isso no texto.



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eles no entenderam era a natureza real do reino e a forma que seria
introduzido." 40

Quando Joo Batista e Jesus pregaram que o reino estava a ponto
de irromper  frente na histria, no se referiam a 2000 anos no
futuro. Jesus disse durante a sua vida que o reino era uma realidade
presente: "Mas se  pelo Esprito de Deus que eu expulso demnios,
ento chegou a vocs o Reino de Deus" (Mt 12.28). Jesus expulsou
demnios pelo Esprito de Deus ao longo do Seu ministrio terreno?
Certamente! "O fato que o reino de Satans estava sendo invadido e
suas possesses (demonacas) conquistadas por Cristo (Mt 12.25-
29)  prova que o reino havia chegado." 41 Quando os fariseus
inquiriram Jesus sobre quando chegaria o reino de Deus, Jesus
respondeu no tempo presente: "o reino de Deus est entre vocs"
(Lc 17.21). "A Lei e os Profetas profetizaram at Joo. Desse tempo
em diante esto sendo pregadas as boas novas do Reino de Deus, e
todos tentam forar [tempo presente] sua entrada nele" (Lc 16.16).
O reino  presente e espiritual.

Jesus disse aos Seus discpulos que alguns estariam vivos para ver
pessoalmente "o reino de Deus vindo com poder". "E lhes disse:
`Garanto-lhes que alguns dos que aqui esto de modo nenhum
experimentaro a morte, antes de verem o Reino de Deus vindo com
poder" (Mc 9.1). "Ele estava dizendo que alguns daqueles a quem
estava se dirigindo ... veriam o reino ou reinado ou reino de Deus vir
`com poder'. A referncia  com toda a probabilidade  ressurreio
gloriosa de Cristo, seu retorno em Esprito no dia de Pentecostes e,
numa relao ntima com este evento, sua posio, com grande
poder e influncia,  direita do Pai". 42 A interpretao que diz que
haver pessoas a dois mil anos no futuro que no vo morrer at a
vinda do reino com poder claramente viola princpios elementares
da interpretao bblica. Ser que a audincia que estava ouvindo a
promessa de Jesus considerou Suas palavras como que se referindo
a pessoas que ainda nem haviam nascido?

Uma passagem que revela tanto a natureza quanto a ocasio do
reino  Jo 18.36-37: "`O meu Reino no  deste mundo. Se fosse, os
meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem.
Mas agora o meu Reino no  daqui'. `Ento voc  rei! ', disse
Pilatos.' Jesus respondeu: `Tu dizes corretamente que sou Rei. De

40 Ibid., p. 66.
41 Gentry, pp. 216-17.
42 William Hendricksen, The Gospel of Mark (Grand Rapids: Baker, 1975), p. 333.




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fato, por esta razo nasci e para isto vim ao mundo: para
testemunhar da verdade. Todos os que so da verdade me ouvem'."
Jesus no apenas diz que  rei, mas tambm diz que essa  a razo
principal pela qual Ele nasceu no mundo. Ele corrige a expectativa
dos judeus acerca de um reino poltico e terreno. "O texto no diz,
como se tratasse de um ensino tolo, que o reino de Cristo 
irrelevante para o mundo; antes, afirma que o reino no  derivado
da terra: Ele estava falando da fonte da Sua autoridade, no do lugar
do Seu reino legtimo. Seu reino no  deste mundo, mas est neste
mundo". 43 O pr-milenista comete o mesmo erro dos judeus na
expectativa de uma ditadura poltica de excelncia por Cristo em
Jerusalm. Se tivesse sido o caso, por que Jesus explicitamente
rejeitou a oferta dos judeus de constitu-lo rei poltico, terreno (Jo
6.15)? O reinado de Cristo  espiritual; Ele governa da destra de
poder no cu (Ef 1.20-21).

A Bblia ensina que Cristo recebeu o seu reino com poder, pela
ressurreio dentre os mortos (Rm 1.4). Portanto a ressurreio  o
ponto crtico de toda a histria humana: "Foi-me dada toda a
autoridade nos cus e na terra. Portanto, vo e faam discpulos de
todas as naes, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do
Esprito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes
ordenei. Eu estarei sempre com vocs, at o fim dos tempos" (Mt
28.18-20). Na base da autoridade universal de Cristo no cu e na
terra os apstolos so ordenados a ir e fazer discpulos de todas as
naes. Na Bblia, a ressurreio, ascenso e entronizao de Cristo
so tratadas organicamente como um aspecto da Sua exaltao.

O profeta Daniel teve uma viso na qual viu a ascenso de Cristo
(note que Jesus recebeu o reino na ascenso e no na segunda
vinda): "Em minha viso  noite, vi algum semelhante a um filho
de homem, vindo com as nuvens dos cus. Ele se aproximou do
ancio e foi conduzido  sua presena. Ele recebeu autoridade,
glria e o reino; todos os povos, naes e homens de todas as
lnguas o adoraram. Seu domnio  um domnio eterno que no
acabar, e Seu reino jamais ser destrudo" (Dn 7.13-14). "Mediante
o Esprito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela
sua ressurreio dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor" (Rm
1.4)... Logo Pedro pde dizer no Pentecostes acerca da ressurreio
e ascenso de Jesus, `Portanto, que todo o Israel fique certo disto:


43Chilton, p. 515, citando Gary North, Backward, Christian Soldiers? An Action Manual for
Christian Reconstruction (Tyler, TX: Institute for Christian Economics, 1984).



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Este Jesus, a quem vocs crucificaram, Deus o fez Senhor e Cristo"
(At 2.36). 44

O autor de Hebreus diz que aps Cristo ter sofrido humilhao, Ele
foi coroado com glria e honra pelo Pai: "Tu o fizeste um pouco
menos do que os anjos e o coroaste de glria e de honra; tudo
sujeitaste debaixo dos seus ps" (Hb 2.7-8). "A entronizao de
Cristo  algo consumado desde a Sua ascenso... No aguardamos
hoje por um reinado futuro de Cristo: Ele est agora no Seu trono.
Realmente, no Novo Testamento, a passagem mais citada ou
aludida ao Antigo Testamento  o Salmo 110. Esse versculo lembra
a palavra de Deus o Pai a Cristo o Filho: `Senta-te  minha direita
at que eu faa dos teus inimigos um estrado para os teus ps'. De
diferentes formas ela aparece dezesseis vezes no Novo Testamento.
O sentar-se ` direita' de Deus  um equivalente semntico a sentar-
se no trono de Deus, como  evidente em Ap 3.21: `Assim como eu
tambm venci e sentei-me com meu Pai em seu trono'." 45 Portanto
Pedro pde louvar, "Deus o exaltou, colocando-o  sua direita como
Prncipe e Salvador" (At 5.31). Se os apstolos estivessem pregando
(como fazem os pr-milenistas) que o reino de Cristo era algo
distante no futuro, ento por que os judeus os acusaram de pregar o
reino de Cristo? "Todos eles esto agindo contra os decretos de
Csar, dizendo que existe um outro rei, chamado Jesus" (At 17.7).

Se o reino de Cristo e o reino milenar so eventos futuros, ento por
que o apstolo Paulo sempre descreve a entronizao de Cristo com
verbos em tempo passado? "Deus colocou todas as coisas debaixo
de seus ps e o designou cabea de todas as coisas para a igreja" (Ef
1.22). "Por isso Deus o exaltou a mais alta posio e lhe deu o nome
que est acima de todo nome" (Fp 2.9). Por que Paulo, escrevendo
no primeiro sculo, usa o tempo presente para descrever o reino de
Cristo? "Pois  necessrio que ele reine at que todos os seus
inimigos sejam postos debaixo de seus ps" (1Co 15.25). 46 Por que
Paulo disse aos cristos colossenses que eles tm sido
"transportados [tempo passado] para o Reino de seu Filho amado"
(Cl 1.13)? Para os crentes do primeiro sculo, o reino (o milnio) era


44Crenshaw and Gunn, p. 334.
45Gentry, p. 221. Gentry cita os seguintes versculos: Mt 22.44, 26.64; Mc 12.36, 14.62, 16.19; Lc
20.42-43, 22.69; At 2.34-35; Rm 8.34; 1Co 15.25; Ef 1.20; Cl 3.1; Hb 1.3, 13; 8.1; 10.12.
46 Quando Paulo discute a entronizao de Cristo usa o tempo aoristo, que indica que a

entronizao de Cristo se deu num momento especfico do passado. Quando ele discute o reino
de Cristo emprega um presente ativo do infinitivo. Paulo estava convencido de que vivia no
milnio (no reino de Cristo).



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uma realidade presente. 47 Devemos tentar forar o ensino sobre o
reino conforme consistentemente ensinado nos evangelhos, Atos e
epstolas, dentro do modelo pr-milenista? No faria mais sentido
interpretar Apocalipse 20  luz do ensino explcito e consistente do
restante do Novo Testamento?

Os intrpretes pr-milenistas tentam distorcer o ensino do Novo
Testamento sobre o reino fazendo uma distino entre as
expresses "reino dos cus" e "reino de Deus". O reino dos cus 
considerado judaico, messinico e davdico. Os dispensacionalistas
ensinam que esse reino judaico terreno foi oferecido por Cristo a
Israel, mas Israel rejeitou essa oferta do reino; portanto, esse reino
foi adiado at a segunda vinda de Cristo, quando Ele estabelecer
uma ditadura poltica de 1000 anos sobre o mundo, do Seu trono
em Jerusalm. (O fato que Cristo rejeitou a oferta de um reino
poltico judaico durante a Sua primeira vinda (Jo 6.15)  ignorado
por esses mesmos intrpretes). Por outro lado, o reino de Deus 
considerado universal. Ele abarca a era da igreja e todos os crentes
gentios. Assim a era presente  a dispensao do reino de Deus.

O problema com a viso dispensacionalista  que as expresses
"reino de Deus" e "reino dos cus" so usadas intercambiavelmente
nos evangelhos e so, portanto, sinnimos. O acadmico do Antigo
Testamento, Oswald T. Allis, escreve "Seria algo muito natural. O
conceito de reino  proeminente no Antigo Testamento; e a
passagem que naturalmente sugere isso  Dn 2.44, onde lemos: `Na
poca desses reis, o Deus dos cus estabelecer um reino que jamais
ser destrudo'. Esse ser o reino de Deus no cu.
Conseqentemente,  certamente apropriado defini-lo como `reino
dos cus' e `reino de Deus', da mesma forma como `a arca da aliana
do SENHOR' deveria ser chamada `a arca da aliana' e `a arca do
SENHOR' (e.g., Js 6.6-8). Que as duas expresses so equivalentes 
evidente de forma especialmente clara pelo fato que so usadas num
paralelismo sinnimo em Mt 19.23, e tambm porque trs das

47"`Pois o Reino de Deus no  comida nem bebida, mas justia, paz e alegria no Esprito Santo'
(Rm 14.17) - coisas que definem uma realidade presente na experincia crist e so gozadas pelo
povo de Deus em todos os lugares.... `Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua
justia, e todas essas coisas lhes sero acrescentadas' (Mt 6.33). Isso implica que o reino 
alcanvel desde j pelo crente, e que uma vez obtido, todas as demais coisas so igualmente
dadas a ele. Que Paulo ao longo do seu ministrio tenha pregado o reino como uma realidade
presente  algo claramente perceptvel das suas colocaes aos irmos de feso, como o ter
lembrado que por trs anos residiu entre eles `pregando o reino' (At 20.25), e com base nos
versculos finais do livro de Atos: `Por dois anos inteiros Paulo permaneceu na casa que havia
alugado, e recebia a todos os que iam v-lo. Pregava o Reino de Deus e ensinava a respeito do
Senhor Jesus Cristo, abertamente e sem impedimento algum' (At 28.30, 31). Esses versculos
contrariam a idia que o reino seja uma realidade estritamente futura." (Boettner, p. 285).



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parbolas que aparecem em Mt 13 como parbolas do reino dos
cus (o Semeador, o Gro de Mostarda e do Fermento) aparecem
em Marcos ou Lucas como parbolas do reino de Deus". 48 Os
dispensacionalistas se envolvem em ginstica exegtica e distines
bizarras e detalhistas, pois seu sistema de escatologia no 
derivado, mas forado sobre o texto. A verdade simples  que
Mateus, escrevendo a uma audincia predominantemente judia,
preferiu a expresso "reino dos cus", ao passo que Lucas e Marcos,
que escreveram a uma audincia predominantemente gentia,
optaram pela expresso "reino de Deus".

Pr-milenistas histricos fazem uso de uma abordagem mais sutil.
Eles argumentam que a era do cumprimento  uma realidade
presente, mas que o perodo da consumao ou da plenitude do
reino aguarda a segunda vinda e o reino milenar. O pr-milenista
histrico G.E. Ladd escreve: "Cristo est agora reinando como
Senhor e Rei, mas o Seu reino est velado, inobservvel e
irreconhecvel pelo mundo. A Sua glria  no presente conhecida
somente pelas pessoas de f. No que diz respeito ao mundo, o reino
de Cristo  apenas algo potencial e no-consolidado... Se ento o
tempo presente  o tempo do reino velado e da glria secreta de
Cristo, a Era Porvir ser o tempo do domnio todo-abrangente do
Pai, o reino milenar ser o tempo da manifestao da glria de
Cristo quando a soberania que agora possui mas no manifesta
abertamente... ser revelada ao mundo". 49 Ladd ento baseia o seu
argumento escriturstico no aprisionamento de Satans em
Apocalipse 20.2-3 (que j foi demonstrado ser na verdade uma
referncia  primeira e no  segunda vinda de Cristo] e no fato da
Bblia assegurar um perodo de prevalncia de retido antes do
estado final, o mal ser amplamente erradicado e a terra conhecer
paz e prosperidade. O argumento de Ladd relativo ao perodo de

48 Allis, p. 67. "Efsios  uma virtual crtica anti-dispensacionalista do apstolo Paulo! Note o
ensino em Efsios das questes antitticas ao dispensacionalismo: Cristo  revelado como
presentemente em Sua posio de Senhor que reina (1.19-22) e, assim como j dito, estamos
agora assentados com Ele (1.3, 2.6). Paulo atribui a aplicao das `Promessas do pacto'
(literalmente) aos gentios na igreja (2.10-12). Ele enfatiza a remoo da distino entre Judeus e
Gentios (2.12-19). Refere-se  edificao da Igreja como representao da construo do templo
(2.20-22). O perodo neo-testamentrio da Igreja diz-se ter sido comunicado no Antigo
Testamento, embora no com a mesma amplitude e clareza (3.1-6). A entronizao real de Cristo
 celebrada pela concesso de dons sobre a Sua Igreja/reino (4.8-11), com a expectativa da
maturao histrica da Igreja (4.12-14). Paulo discorre sobre a igreja de uma forma que expressa
a sua natureza espiritual, antes que poltica (5.5)" (Gentry, p. 224). Muitos, seno a maioria dos
dispensacionalistas, so ignorantes de que a maioria das suas doutrinas mais importantes no
foram sustentadas por um s acadmico, comentarista ou telogo cristo at a ocasio, nos idos
de 1830, em que o seu sistema foi inventado por J. N. Darby. A viso de Darby tornou-se
popular aps a publicao da Bblia de Referncia Scofield (Scofield Reference Bible), em 1909.
49 George Eldon Ladd, Theology of the New Testament (Grand Rapids: Eerdmans, 1974), p. 63.




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retido e paz sobre a terra pressupe que tais bnos no podem
ocorrer antes da segunda vinda. Os ps-milenistas so da opinio
que h fundamento escriturstico suficiente para considerar as
profecias de uma bno mundial como de ocorrncia anterior 
segunda vinda. O problema central do argumento de Ladd  que
simplesmente contradiz a considerao do apstolo Paulo acerca da
segunda vinda: "Cristo, o primeiro; depois, quando ele vier, os que
lhe pertencem. Ento vir o fim, quando ele entregar o Reino a
Deus, o Pai, depois de ter destrudo todo domnio, autoridade e
poder" (1Co 15.23-24). 50




50 Os estudiosos pr-milenistas sabem que 1Co 15.23-24  uma grande prova contra a sua
posio; assim, tentaram contornar o claro significado dessa passagem, de duas formas bsicas:
Alguns pr-milenistas argumentam que "ento vir o fim" no se refere  consumao de todas
as coisas mas  consumao da ressurreio. Eles interpretam a passagem de forma que
signifique "ento, em algum momento no futuro distante chegar o fim; i.e., a ressurreio dos
mpios." R. C. H. Lenski escreve, "Paulo diz simplesmente: `Ento o fim,' e omite o verbo por no
ser necessrio. A nossa verso traduz corretamente: `Ento vem o fim,' e usa o tempo presente.
Aqueles que pensam a respeito de uma dupla ressurreio atrelam um tempo futuro: estai,
`ento ser ou deve vir o fim.' Isso d margem ao intervalo que eles buscam, pois podem
estender esse tempo futuro a milhares de anos, ou to quanto desejarem. A nica dificuldade 
que Paulo no registra qualquer verbo ou tempo verbal; e uma doutrina que est baseada num
verbo ou tempo verbal que  inserido descansa sobre algo que no existe. `Ento, o fim', sem
verbo ou qualquer tempo verbal, significa `ento, a Parousia.' Nenhuma regra gramatical
conhecida nos autoriza a introduzir um tempo verbal, sem falar no longo intervalo... O que
Paulo diz  que a Parousia e a ressurreio determinam o fim, literalmente a abolio de
quaisquer foras hostis (aqui, evidentemente, inclundo o mpio) e a transferncia do reino a
Deus" (The Interpretation of St. Paul's First and Second Epistles to the Corinthians, pp. 672-
74). O segundo argumento  baseado no termo grego para ento (eita).  argumentado que a
palavra ento pode significar qualquer margem temporal desejada, seja imediata ou um futuro
distante. Assim, a passagem poderia ser parafraseada, "Cristo, as primcias, posteriormente
aqueles que so de Cristo na Sua segunda vinda. Ento, com o trmino do reino milenar de
1000 anos, vem o fim." Esse argumento  descartado pelo simples fato que o advrbio eita no
N.T. nunca se refere a um longo intervalo de tempo. Ele  usado para denotar um curto
intervalo de tempo (cf. Mc 4.17, 28; 8.25; Lc 8.12; Jo 13.5; 19.27; 20.27; 1Co 12.28; 15.5, 7; 1Tm
2.13; 3.10; Hb 12.9; Tg 1.15). Note a forma como Paulo usa dois diferentes advrbios nessa
passagem: uma para denotar um intervalo longo, e outra para denotar um intervalo estreito. "E
podemos perceber, que embora existe uma ordem sucessria entre os trs eventos citados nos
versculos 23 e 24 (literalmente, 1. A ressurreio de Cristo; 2. A ressurreio do Seu povo; 3. O
fim), no entanto o advrbio epeita  denotando a ordem de sucesso entre os dois primeiros (a
ressurreio de Cristo e do Seu povo) onde o intervalo  longo  no  usado para denotar a
ordem de sucesso nos dois eventos posteriores (a ressurreio do povo de Cristo, e o fim), mas
 trocado por eita, como que para nos advertir que embora existe uma regularidade na ordem
nos eventos citados, no h uma regularidade quanto  extenso do intervalo; assim, o advrbio
apropriado para expressar um longo intervalo (epeita) no v. 23,  alterado no v. 24 para eita, um
advrbio apropriado para denotar um intervalo estreito... [Assim] enquanto o intervalo entre os
dois primeiros eventos  a ressurreio de Cristo e do Seu povo   longo do nosso ponto de
vista, o intervalo entre os dois ltimos eventos  a ressurreio do povo de Cristo e o fim  ser
consideravelmente estreito" (Gipps, First Resurrection, citado em Brown, pp. 482-83).



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                           A Natureza do Reino


Os pr-milenistas erram no apenas no tocante ao perodo do reino,
mas tambm quanto  sua natureza. Os dispensacionalistas crem
que Jesus veio ao mundo para estabelecer um reino judaico poltico
terreno. Os judeus rejeitaram a oferta de Cristo e assim o reino
poltico terreno teria que esperar pela segunda vinda e pelo milnio.



1. O Reino  espiritual

A verdade  que os judeus e mesmo os discpulos ansiavam por um
reino judaico poltico terreno, mas Jesus rejeitou esse conceito e no
seu lugar ensinou sobre um reino espiritual. Isso  claramente
perceptvel do encontro de Jesus com dois discpulos na estrada
para Emas. Os dois discpulos manifestaram desapontamento
porque Jesus no resgataria Israel: "E ns espervamos que era ele
que ia trazer a redeno a Israel" (Lc 24.21). Esses homens
estiveram esperando libertao poltica de Roma. Tinham uma
concepo poltica e terrena do reino. Jesus corrigiu a sua
concepo colocando o foco na cruz: "Ele lhes disse: `Como vocs
custam a entender e como demoram a crer em tudo o que os
profetas falaram! No devia o Cristo sofrer estas coisas, para entrar
na Sua glria?' E comeando por Moiss e todos os profetas,
explicou-lhes o que constava a respeito dele em todas as Escrituras"
(Lc 24.25-27).

Jesus proclamou um reino espiritual redentor, um reino em que se
entrava por intermdio de um novo nascimento, tomando-se parte
da primeira ressurreio: "Digo-lhe a verdade: Ningum pode
entrar no Reino de Deus, se no nascer da gua e do Esprito" (Jo
3.5)  no um reino de armas e poder poltico, mas de servio
humilde e submisso a Cristo e ao prximo. 51 "Bem-aventurados os

51 "Eu lhes asseguro que, a no ser que vocs se convertam e se tornem como crianas, jamais

entraro no Reino dos cus" (Mt 18.3-4) "Jesus lhes disse: "Os reis das naes dominam sobre
elas; e os que exercem autoridade sobre elas so chamados benfeitores. Mas, vocs no sero
assim. Ao contrrio, o maior entre vocs dever ser como o mais jovem, e aquele que governa,



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humildes, pois eles recebero a terra por herana" (Mt 5.5). "Eis que
o seu rei vem a voc, humilde e montado num jumento, num
jumentinho, cria de jumenta" (Mt 21.5). Quando inquirido da Sua
messianidade, Jesus fez meno s Suas obras de servio,
misericrdia e cura (Mt 11.4-6). "Ele rejeitou os esforos dos judeus
de torn-Lo Rei ou de coloc-lo em conflito com os governadores
romanos. Ele declarou a Pilatos `O meu Reino no  deste mundo'
(Jo 18.36). Tivesse Jesus vindo instaurar um reino da forma
descrita pelos dispensacionalistas, no teria respondido dessa forma
a Pilatos. Ou, ao menos, Suas palavras teriam que ser tomadas como
significando `O meu Reino no  agora deste mundo'. Pois de
acordo com a viso dispensacionalista tratava-se de um reino
mundano, um reino que iria envolver a derrota violenta de Roma
que Jesus teria oferecido e daria aos judeus (to breve como a
entrada triunfal?), se estivessem eles desejosos por receb-lo". 52

Jesus especificamente disse aos fariseus que o Seu reino no seria
estabelecido com poder militar ou com visvel ostentao: "Certa
vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o
Reino de Deus, Jesus respondeu: `O Reino de Deus no vem de
modo visvel, nem se dir: `Aqui est ele', ou `L est'; porque o
Reino de Deus est entre vocs'" (Lc 17.20-21). Paulo tambm
rejeitou uma concepo mundana e carnal do reino: "Pois o Reino
de Deus no  comida nem bebida, mas justia, paz e alegria no
Esprito Santo" (Rm 14.17). "Cristo esclareceu em numerosas
ocasies que o propsito da Sua primeira vinda era de salvar o Seu
povo dos pecados, no de estabelecer imediatamente um reino em
plenitude que esmagaria instantaneamente todos os inimigos dos
judeus... A oferta de um reino terreno que estabelecesse Seu reinado
imediato em Jerusalm  algo no declarado ou insinuado em
qualquer lugar nos evangelhos. Ele repetidamente torna conhecido
que veio trazer salvao ao Seu povo, e que ento  por meio do Seu
povo  faria chegar um reino (Dn 7.18, 22, 27; Mt 13.31-33; 1Co
15.21-28; 1Jo 5.4; Ap 2.26, 27; 5.10; 12.10)." 53 No h um s trao

como o que serve" (Lc 22.25-26). " somente  medida que a vontade de Deus  realizada no
corao e na vida das pessoas, assim tornando-as cnscias das responsabilidades no mundo, que
pode-se dizer que o reino est sendo percebido, est `vindo'. E uma vez que aqueles, e somente
aqueles, que aceitam o evangelho e professam a sua f em Cristo so designados membros da
Sua Igreja, a relao entre o reino e a Igreja deve ficar obviamente patente" (Allis, p. 80). "Venha
o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no cu" (Mt 6.10).
52 Ibid., pp. 70-71.
53 Crenshaw e Gunn, p. 66 (cf. Mt 1.21; 9.13; 11.25-30; 16.21; 17.22-23; 18.11; 20.18-19, 28; Mc

1.1, 14-15; 8.31; 9.12, 31; 10.33-34, 45; 14.24-25; Lc 1.68; 2.38; 4.18-19; 5.32; 9.22, 44; 18.31-34;
19.10; Jo 1.29; 2.19-22; 3.16; 4.42; 5.38-47; 6.14, 29, 38-40; 10.11, 15-28; 11.25-27, 51-52; 12.27,
46).



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de evidncia nos evangelhos ou epstolas a respeito de um reino
instantneo, terreno e poltico por intermdio de um Armageddon.



2. O Reino  universal

Os pr-milenistas dispensacionalistas defendem que o reino milenar
 judaico e terreno. A Bblia ensina que o reino  universal, pan-
tico (composto de todas as raas) e espiritual. "A nao judaica, por
conta da sua rebelio pactual contra o Messias e da sua rejeio e
assassinato de Jesus Cristo, perdeu o seu status de "um povo
distinto e favorecido no reino". 54 Cristo ensinou que Deus rejeitaria
Israel por sua apostasia: "Portanto eu lhes digo que o Reino de Deus
ser tirado de vocs e ser dado a um povo que d os frutos do
Reino" (Mt 21.43). Quem substituiu Israel como alvo da revelao
de Deus, dos sacramentos, do governo e assim por diante? A igreja
 composta tanto por judeus quanto gentios. "Diz Jesus, `O reino de
Deus', isto , os privilgios especiais do reino  a posio singular
perante os olhos de Deus, objeto de deleite desse povo durante a
antiga dispensao, ao qual tm sido agora acrescidas as
abenoadas palavras e obras de Jesus  `ser levado de vocs [os
judeus]'. Por qu? Porque eles no viveram  altura das suas
obrigaes... Assim, no lugar do antigo pacto um povo faria surgir 
isso j no estava comeando a acontecer?  `uma nao produzindo
o seu fruto', uma igreja internacional, constituda tanto por judeus
quanto gentios." 55

Paulo ensina que vir um tempo em que haver uma ampla
converso de judeus (Rm 11.26), mas os judeus salvos tornar-se-o
parte da igreja; eles no constituiro um povo separado. "A igreja do
perodo do Novo Testamento no  um corpo distinto, efmero, de
pessoas. Antes,  um cumprimento renovado e ordenado do antigo
corpo para todo o tempo. Essa igreja  uma unidade com os
antepassados dos judeus, enxertada na raiz abrmica e assim
partilhando da sua seiva (Rm 11.17-18)." 56 Assim, no incio do Seu
ministrio Jesus disse "Porque Deus tanto amou o mundo que deu o
seu Filho unignito, para que todo o que nele crer no perea, mas
tenha a vida eterna" (Jo 3.16). "No Seu primeiro sermo em Nazar
(Lc 4.16), Ele dirigiu as palavras de Isaas 61.1 de modo to direto
aos gentios, como que numa censura pesada s expectativas
54 Gentry, p. 229.
55 Hendricksen, Matthew, p. 786.
56 Gentry, pp. 230-31.




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nacionalistas dos Seus ouvintes, que estes procuraram mat-lo,
assim como os judeus de Jerusalm, anos mais tarde, tentaram
matar Paulo pelo mesmo motivo (At 22.21). Passagens como essas
acima indicam de modo inequvoco que desde o incio Jesus no
apenas deixou de encorajar, mas definitivamente se ops s
expectativas dos judeus de que um reino judeu, terreno, de glria,
tal como Davi estabeleceu sculos antes, estava para ser
instaurado". 57

O reino que Cristo veio estabelecer por Sua morte e ressurreio 
composto de pessoas de todas as naes, tribos e lnguas. Paulo
disse "Pois ele  a nossa paz, o qual de ambos [judeus e gentios] fez
um e destruiu a barreira, o muro de inimizade" (Ef 2.14). Deus no
tem dois povos, mas um. A idia dispensacionalista de um reino
israelita ao longo do milnio, com um templo s ento reconstrudo,
no tem base na teologia do Novo Testamento. Poderia Paulo ser
mais claro do que quando disse "No h judeu nem grego... pois
todos so um em Cristo Jesus" (Gl 3.28)? O templo est sendo
reconstrudo agora: "Portanto, vocs j no so estrangeiros nem
forasteiros, mas concidados dos santos e membros da famlia de
Deus... no qual todo o edifcio  ajustado e cresce para tornar-se um
santurio santo no Senhor" (Ef 2.19, 21). "No poderia haver
declarao mais categrica que toda a diferena entre judeus e
gentios foi deixada de lado no mbito do seio da igreja crist. Isso,
no entanto, no  uma mera questo de assero, trata-se da
natureza real do evangelho. Nada  mais claro a partir dos ensinos
das Escrituras que todos os crentes so um s corpo em Cristo, que
so todos participantes do Esprito Santo, e que em virtude dessa
unio com Ele partilham juntos dos benefcios da Sua redeno; que
se houvesse alguma diferena entre eles, no seria devido a uma
distino social ou nacional, mas simplesmente relativa ao carter e
devoo pessoais... No h qualquer sugesto de que uma classe
especfica de cristos, ou cristos de alguma nao ou raa
particular, so exaltados sobre os seus irmos". 58 "E, se vocs so
de Cristo, so descendncia de Abrao e herdeiros segundo a
promessa" (Gl 3.29).




57   Allis, p. 71.
58   Charles Hodge, Systematic Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1989 [1871-73]), 3:810-11.



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3. O Reino  expansvel

Os pr-milenistas afirmam que a Grande Comisso dada  igreja
(Mt 28.18) vai fracassar. As passagens que falam de uma paz e
prosperidade mundiais devem se referir a um reino milenar futuro
estabelecido com a segunda vinda. Assim, a viso pr-milenista  de
um reino de sucesso instantneo estabelecido na ocasio do retorno
de Cristo. Jesus, no entanto, disse algo muito diferente daquilo que
esperam os pr-milenistas. Ele ensinou que o reino comearia muito
pequeno e ento experimentaria um crescimento progressivo com o
passar do tempo. Eventualmente esse reino crescer na sua
predominncia no mundo antes da segunda vinda: "`O Reino dos
Cus  como um gro de mostarda que um homem plantou em seu
campo. Embora seja a menor dentre todas as sementes, quando
cresce torna-se a maior das hortalias e se transforma numa rvore,
de modo que as aves do cu vm fazer os seus ninhos em seus
ramos'. E contou-lhes ainda outra parbola: `O Reino dos Cus 
como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma
grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada'"
(Mt 13.31-33).

Na parbola do gro de mostarda Cristo discorreu sobre o grande
sucesso do evangelho e do grande crescimento do Seu reino no
mundo. "A figura  inequivocamente de algo grandioso alm das
expectativas: um minsculo gro de mostarda d origem a uma
rvore." 59 O reino inicia com alguns poucos discpulos na
minscula nao de Israel, mas cresce e cresce at ser a maior erva
no jardim. "Nessa dupla [de parbolas] Cristo chama a ateno para
algumas caractersticas do reino... seu incio diminuto, seu
crescimento gradual e seu imenso desenvolvimento. Ele vai
envolver todas as pessoas e naes e vai penetrar e transformar
plenamente suas vidas." 60 Cristo ensinou que a evangelizao
fracassaria na histria antes da Sua segunda vinda? Ensinou que o
reino viria subitamente? No. Ele prometeu crescimento contnuo
at a vitria, no tempo e sobre a terra, antes da segunda vinda.

A parbola do fermento ensina que o evangelho se espalhar pelo
mundo at que todo ele seja plenamente impregnado. O fermento
toma a farinha at que fica tudo fermentado. "A parbola do
fermento, portanto, faz um paralelo com o sentimento de gloriosa

 Gentry, p. 238.
59
60Alfred Plummer, An Exegetical Commentary on the Gospel According to St. Matthew (Grand
Rapids: Baker, 1982 [1915]), p. 194.



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expectativa pelo reino do cu das outras parbolas. O reino vai
impregnar tudo (Mt 13.33). Vai operar para um retorno
centuplicado (Mt 13.8). Vai crescer em grande estatura (Mt 13.31-
32). Vai dominar o campo/mundo (tendo espalhado a semente de
trigo no mundo, o mundo para o qual Cristo retorna ser um campo
de trigo e no um campo de joio, Mt 13.30)." 61 Haver um
desenvolvimento incrvel do Cristianismo no mundo. "Cada cristo
deve ser um missionrio, passando adiante a misteriosa influncia,
pois no deve, tendo recebido, negar-se a dar. Isso implica que o
cristo deve viver no mundo, pois o fermento no pode agir sem o
contato. A vida humana precisa ser tocada em todos os aspectos,
para que as suas obras e aes, sua religio e descanso, sua poltica e
comrcio, sua cincia e arte, possam crescer e ser aquecidos pela
ao penetrante" 62 da glria do evangelho de Cristo e do seu efeito
santificador sobre homens, instituies e culturas.

Nessas parbolas Jesus estava contrabalanando as expectativas dos
judeus em Sua poca, a expectativa de um reino iminente, um reino
terreno de glria e poder poltico judaico, um reino que viria "com
contemplao". Jesus disse que no, que o reino inicia sutil e
imperceptivelmente pequeno, mas crescer progressivamente por
toda a terra at que todas as naes sejam discipuladas. Os pr-
milenistas simplesmente tomaram a falsa expectativa de reino dos
judeus e a transferiram para a segunda vinda de Cristo. Mas fazendo
isso precisam dar satisfao acerca das parbolas do reino de Cristo,
pois elas ensinam um crescimento mundial, progressivo, e vitria
anteriores  segunda vinda. 63


61Gentry, p. 239.
62 Plummer, pp. 194-95.
63 A interpretao dispensacionalista da parbola do fermento  que o fermento representa o

mal atuando ardilosamente na igreja, at que a igreja professante se corrompa totalmente.
Ainda que seja verdade que s vezes o fermento  usado nas Escrituras para representar o mal
(e.g., Mt 16.6), no  sempre usado dessa forma (cf. Lv 7.13; 23.7). Por exemplo, na celebrao
de Pentecostes, pes levedados foram oferecidos a Deus em gratido  Sua proviso de po
dirio.  exegeticamente ilegtimo tomar o significado ou o uso de uma palavra num contexto e
insistir que deva ter sempre o mesmo significado, mesmo quando obviamente usada num
sentido diferente. A interpretao dispensacionalista da parbola do fermento  confusa e
absurda. "Como poderia Jesus, que revelou esse reino como to desejvel, ter dito `O reino dos
cus  como o fermento', se com isso quisesse dizer `O reino dos cus  como uma entidade m
agindo sutilmente, que irremediavelmente acaba corrompendo os coraes de todos aqueles que
nele adentram'? Poderia Jesus ter usado as palavras `reino dos cus' to confusamente: por um
lado, representando um reino abenoado dentro do qual todos desejariam entrar; por outro,
uma caricatura ou imitao de tal reino, um reino de hipocrisia, falsidade e maldade, que todos
deveriam procurar evitar? Poderia Ele ter feito isso sem envolver Seus ouvintes nessa total e
inextricvel confuso?" (Allis, pp. 86-87). Os dispensacionalistas argumentam que a parbola da
semente de mostarda ensina que esta era  marcada por um "crescimento exterior anormal". A
erva transformando-se numa rvore significa que a pequena erva se tornou uma



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Uma passagem que claramente identifica o perodo do milnio
(entre as duas vindas) e a sua natureza  1 Corntios 15.20-28: "Mas
de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primcias
dentre aqueles que dormiram. Visto que a morte veio por meio de
um s homem, tambm a ressurreio dos mortos veio por meio de
um s homem. Pois da mesma forma como em Ado todos morrem,
em Cristo todos sero vivificados. Mas cada um por sua vez: Cristo,
o primeiro; depois, quando ele vier, os que lhe pertencem. Ento
vir o fim, quando ele entregar o Reino a Deus, o Pai, depois de ter
destrudo todo domnio, autoridade e poder. Pois  necessrio que
ele reine at que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de
seus ps. O ltimo inimigo a ser destrudo  a morte. Porque ele
`tudo sujeitou debaixo de seus ps'. Ora, quando se diz que `tudo' lhe
foi sujeito, fica claro que isso no inclui o prprio Deus, que tudo
submeteu a Cristo. Quando, porm, tudo lhe estiver sujeito, ento o
prprio Filho se sujeitar quele que todas as coisas lhe sujeitou, a
fim de que Deus seja tudo em todos". Esta  certamente uma das
passagens mais anti-pr-milenistas no Novo Testamento. Na
descrio da ressurreio fsica dos crentes Paulo diz que h apenas
uma ressurreio fsica, e ela ocorre na segunda vinda (v. 23). Os
pr-milenistas precisam ter ao menos duas ressurreies fsicas,
uma na segunda vinda e outra no final do milnio (para os crentes
que morreram durante o reinado terreno de Cristo de 1000 anos).

Paulo disse muito especificamente que quando Cristo retorna,
"ento vir o fim"; ele enfaticamente rejeita o conceito pr-milenista
de um reino de Cristo de mil anos aps a segunda vinda. Que Paulo
tem em mente o fim do mundo pode ser inferido da analogia da
Escritura e do contexto imediato. Os discpulos perguntaram a
Jesus "Qual ser o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?" (Mt
24.3). Que "fim" realmente significa o fim  evidente pelo versculo
24 que ensina que aps Cristo vencer todos os Seus inimigos,
entregar o Reino a Deus, o Pai. "Conseqentemente o fim no
chegar e Cristo no elevar o reino ao Pai at que Ele tenha
anulado toda a sua oposio... Note adicionalmente: o versculo 25
exige que `Ele deve [dei] reinar at que todos os seus inimigos sejam
postos debaixo de seus ps'. Aqui o presente do infinitivo `reina'
aponta a continuidade do Seu reino. J vimos antes... que Ele est
reinando no presente e tem sido assim desde a Sua ascenso.

monstruosidade. "A parbola ensina que a esfera ampliada de profisso se tornou internamente
corrupta. Essa  a marca desta era" (J. Dwight Pentecost, Things to Come [Grand Rapids:
Zondervan, 1958], p. 147). Os dispensacionalistas envolvem a si mesmos em tais absurdos
exegticos, pois precisam tentar explicar as passagens que so diametralmente contrrias ao seu
sistema global de interpretao.



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Referncias de outra parte  passagem do Salmo 110
especificamente mencionam a Sua estada  destra de Deus. Sentar-
se  destra confere governo e reinado ativos e no resignao
passiva. Ele  agora ativamente `o soberano dos reis da terra' e `nos
constituiu reis e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai...' (Ap 1.5-
6). Aqui em 1Co 15.25, lemos que  necessrio que ele reine at que
todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus ps. At
quando? A resposta  a mesma para o que j havia sido concludo:
Seu reinado a partir do cu se estende at o fim da histria". 64

Os pr-milenistas afirmam que o presente governo celestial de
Cristo sobre a terra ser um fracasso. De acordo com o pr-
milenismo, a Grande Comisso de discipular todas as naes antes
do retorno de Cristo nunca ser consumada. A igreja de Jesus
Cristo, plenamente capacitada pelo Esprito Santo para um reinado
vitorioso, no ter xito. Conseqentemente Cristo, na Sua segunda
vinda, subjugar as naes pelo uso da fora  por intermdio do
poder poltico, pela coero. Mas Paulo diz "Pois  necessrio ele
reinar [tempo presente] at que todos os seus inimigos sejam postos
debaixo de seus ps" (1Co 15.25). "A maioria dos comentaristas, em
prol do contexto, entendem a passagem como se referindo a todos
os poderes hostis, sejam demonacos ou humanos. Eles sero
derrubados, i.e., efetivamente subjugados; no aniquilados e no
[todos] convertidos; simplesmente destitudos de toda a capacidade
de perturbar a harmonia do seu reinado". 65 O versculo 26 diz que
"O ltimo inimigo a ser destrudo  a morte". Segundo Paulo isso
ocorre na segunda vinda de Cristo, quando todos os santos so
elevados (v. 23). Mas se a morte  abolida com a segunda vinda de
Cristo, como poderiam morrer todos aqueles que se supem
alcanarem converso durante a tribulao e o milnio? E como
poderia haver uma segunda ressurreio fsica de crentes no
trmino do milnio se a morte foi abolida na segunda vinda? Se a
morte foi abolida na segunda vinda, como diz Paulo, o conceito
pr-milenista de milnio  impossvel.




64   Gentry, p. 247.
65   Hodge, I and II Corinthians, pp. 330-31.



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      Profecias do Reino do Antigo Testamento


Aps constatar que o pr-milenismo contradiz o ensino
neotestamentrio sobre a segunda vinda, a ressurreio geral e o
tempo e natureza do reino, a pergunta pr-milenista bvia : "Mas e
sobre as profecias do reino do Antigo Testamento  elas no se
referem a um reino terreno davdico e judaico, governado pelo
Messias?" Um dos pilares do dispensacionalismo  o axioma que as
profecias do reino do Antigo Testamento devem ser interpretadas
literalmente. Por sua vez elas podem somente ser atribudas ao
Israel tnico e no  igreja, pois Israel e a igreja devem ser tomados
separadamente no plano de Deus. Ainda que a idia de interpretar
literalmente as profecias do reino do Antigo Testamento seja
tentadora, h um nmero insupervel de problemas exegticos e
teolgicos relacionados a uma interpretao literal.

1. O primeiro problema  que o Novo Testamento ensina que com a
vinda de Cristo a distino entre judeus e gentios foi removida.
Cristo tem um corpo e no dois (1Co 10.17, 12.12). O muro de
inimizade entre judeus e gentios foi removido (Ef 2.14). Deus criou
em si mesmo, dos dois, um novo homem (Ef 2.15). Os gentios so
concidados dos santos e membros com os judeus da famlia de
Deus; Ele est edificando crentes judeus e gentios juntos em um
templo (Ef 2.11-22). Aps a ressurreio, ascenso e Pentecoste no
h judeu nem grego, pois os cristos so todos um em Cristo Jesus
(Gl 3.28). Gentios que crem em Cristo so considerados
descendncia de Abrao (Gl 3.29). O apstolo Pedro tomou as
caractersticas de Israel no Antigo Testamento e as aplicou
diretamente  igreja: "Vocs so gerao eleita, sacerdcio real,
nao santa, povo exclusivo de Deus... Antes vocs nem sequer eram
povo, mas agora so povo de Deus" (1Pe 2.9-10; cf. Ex 19.5-6). "A
palavra genos [nao] denotando relao sangnea  aplicada aos
cristos como membros de uma famlia atravs do novo


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nascimento". 66 Paulo chama a igreja de "o Israel de Deus" (Gl 6.16).
Ele fala dos crentes "Ns  que somos a circunciso" (Fp 3.3). Paulo
diz que em Cristo de nada vale ser ou no circuncidado, o que
importa  ser uma nova criao" (Gl 6.15). "No  a descendncia
natural que faz de um homem um filho de Abrao". 67 "Aqueles que
so filhos da carne no so os filhos de Deus; mas os filhos da
promessa  que so considerados descendncia de Abrao" (Rm
9.8). As promessas a Israel no foram feitas pela perspectiva "da
carne" mas de acordo com "o esprito". No Antigo Testamento,
Israel  a noiva de Jeov. J no Novo Testamento a igreja 
reiteradamente chamada de noiva de Cristo (Ap 18.23; 21.2, 9;
22.17). Cristo tem somente uma noiva  a igreja. Dizer que Deus
tem dois povos distintos  implicitamente sugerir que Ele seja
polgamo. Deus tem somente um povo: a igreja, "o Israel de Deus".
Quando o apstolo Paulo debate sobre o Israel tnico no tem em
vista bnos terrenas mas pretende esclarecer que as bnos
espirituais prometidas a Israel podem ser obtidas somente por
intermdio da f, sendo a possesso comum de todos os crentes,
tanto judeus como gentios. O desejo de Paulo para Israel no  que
eles possam herdar a terra de Cana, mas "que eles [os israelitas]
sejam salvos" (Rm 10.1; cf. v. 9).

2. Se os crentes devem olhar adiante para um cumprimento literal
das profecias que sugerem Cristo e os santos governando de
Jerusalm, ento por que o autor de Hebreus admoesta os judeus
crentes que no tm nada que ver com a Jerusalm terrena? "Jesus
sofreu fora das portas da cidade. Portanto, saiamos at ele, fora do
acampamento, suportando a desonra que ele suportou. Pois no
temos aqui [na terra] nenhuma cidade permanente, mas buscamos
a que h de vir" (Hb 13.12-14). A Jerusalm terrena foi, assim, um
modelo para a Jerusalm celestial e espiritual: "Mas vocs chegaram
ao monte Sio,  Jerusalm celestial,  cidade do Deus vivo.
Chegaram aos milhares de milhares de anjos em alegre reunio, 
igreja dos primognitos, cujos nomes esto escritos nos cus" (Hb
12.22-23). Pela f Abrao ansiava "pela cidade que tem alicerces,
cujo arquiteto e edificador  Deus" (Hb 11.10). A "Jerusalm est
escravizada com os seus filhos. Mas a Jerusalm do alto  livre, e  a
nossa me" (Gl 4.25-26). Paulo diz que "a nossa cidadania est nos
cus" (Fp 3.20). O Novo Testamento deixa muito claro que a
Jerusalm terrena onde Deus habitava era uma espcie de prottipo
da igreja de Cristo. Deus habita na Sua igreja. O apstolo Joo diz

66   Charles Bigg, The Epistles of St. Peter and St. Jude (Edinburgh: T & T Clark, 1978), p. 134.
67   Hodge, Systematic Theology, 3:810.



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que a Nova Jerusalm  a igreja, a noiva de Cristo (Ap 21.2). A
noo dispensacionalista de um governo literal e terreno de
Jerusalm no pode ser encontrada no Novo Testamento; na
verdade, os apstolos ensinaram que os crentes, tanto judeus como
gentios, no tinham nada que ver com uma Jerusalm terrena.
Portanto, faz total sentido interpretar as profecias do reinado
considerando Jerusalm como que buscando a sua plenitude na
nova Jerusalm de Cristo  a igreja. Agindo assim estamos
simplesmente deixando o Novo Testamento interpretar o Antigo.

Jesus disse  mulher de Samaria que Jerusalm perderia o seu
significado especial como um lugar sagrado e central na adorao ao
Pai: "Creia em mim, mulher: est prxima a hora em que vocs no
adoraro o Pai nem neste monte, nem em Jerusalm... Est
chegando a hora, e de fato j chegou, em que os verdadeiros
adoradores adoraro o Pai em esprito e em verdade. So estes os
adoradores que o Pai procura" (Jo 4.21, 23). Jesus anunciou "que
Jerusalm estava em vias de perder a sua natureza peculiar  que
deixaria de ser, mesmo aos judeus, `a cidade das suas solenidades,
para onde as tribos deveriam ir'  na verdade no possuiria mais
identidade distintamente religiosa que o monte de Samaria, local
em que foi consultado pela mulher... Pela obra de Cristo esses locais
so despojados para sempre da sua sacralidade cerimonial. `Salm' e
`Sio' esto agora em qualquer lugar onde `o Pai  adorado em
esprito e em verdade'.  essa grande mudana que, alm de toda
dvida, o apstolo intentou expressar, quando disse aos hebreus
que estavam se prendendo  Jerusalm local e Sio literal, aps o
fim de toda a sua glria, `Mas vocs chegaram ao monte Sio, 
Jerusalm celestial,  cidade do Deus vivo'"(Hb 12.22). 68

3. O dispensacionalismo sustenta que as profecias do reino que
falam de um templo reconstrudo sero cumpridas literalmente: um
dia o templo ser reconstrudo em Jerusalm. A dificuldade
principal com essa viso  que os apstolos empregaram as
profecias relativas  reconstruo do templo no a um templo
literal, mas  igreja. Paulo fala que Deus est construindo o templo
agora: "Portanto, vocs j no so estrangeiros nem forasteiros,
mas concidados dos santos e membros da famlia de Deus,
edificados sobre o fundamento dos apstolos e dos profetas, tendo
Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifcio  ajustado
e cresce para tornar-se um santurio santo no Senhor. Nele vocs

68David Brown, Christ's Second Coming: Will It Be Premillennial? (Grand Rapids: Baker, 1876
[1983]), pp. 369-70 (maiscula modificada).



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tambm esto sendo edificados juntos, para se tornarem morada de
Deus por seu Esprito" (Ef 2.19-22). Jesus Cristo  o verdadeiro
templo (Jo 20.19, 21; Mc 14.58). Porque os cristos so unidos a
Cristo e porque Ele habita no meio do Seu povo, eles so o templo
de Deus. Paulo fala "Pois somos santurio do Deus vivo. Como disse
Deus: `Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e
eles sero o meu povo'" (2Co 6.16). Paulo toma uma passagem que
os dispensacionalistas alegam muito se referir a um templo literal
em Jerusalm (Ez 37.27) e aplicam-na  igreja crist na sua era.
"Assim, a noo proftica da reconstruo do Templo (quando no
fazendo referncia ao Templo de Zerubabel) fala de Cristo e da
construo da Sua igreja (Mt 16.18; cf. Zc 6.12-13). Ele  o alicerce e
a pedra angular (1Co 3.11, 16-17; Ef 2.20). Como povo de Cristo,
somos sacerdotes (Rm 15.16; 1Pe 2.5, 9; Ap 1.6) oferecendo-nos
como sacrifcios vivos (Rm 12.1-2) e nosso servio como ofertas de
aroma suave (2Co 2.14-15; Fp 4.18; Hb 13.15-16; 1Pe 2.5). Portanto,
`Ns temos um altar do qual no tm direito de comer os que
ministram no tabernculo' (Hb 13.10).  medida que mais pessoas
so convertidas pela Sua graa soberana, Seu Novo Templo do Pacto
cresce pedra por pedra (Ef 2.21; 4.12, 16; 1Pe 2.5, 9). Como sbio
construtor, Paulo labutou nesse Templo (1Co 3.9-17)." 69

A passagem da Escritura que claramente prova que as profecias do
reino sobre o templo esto sendo cumpridas agora no crescimento
da igreja de Cristo  Atos 15. Os apstolos e os ancios esto
reunidos em Jerusalm debatendo a converso dos gentios e o que
fazer acerca da sua observncia de certos aspectos da lei mosaica.
Pedro discutiu a converso dos gentios e o recebimento deles do
Esprito Santo (vv. 7-8). Disse que Deus "no fez distino alguma
entre ns e eles" (v. 9). Paulo e Barnab tambm relataram o que
Deus fez entre os gentios (v. 12). Tiago falou e citou uma profecia do
Antigo Testamento relacionada ao tabernculo de Davi e a aplicou 
reunio dos gentios dentro da igreja: "Simo nos exps como Deus,
no princpio, voltou-se para os gentios a fim de reunir dentre as
naes um povo para o seu nome. Concordam com isso as palavras
dos profetas, conforme est escrito: `Depois disso voltarei e
reconstruirei a tenda cada de Davi. Reedificarei as suas runas, e a
restaurarei, para que o restante dos homens busque o Senhor, e
todos os gentios sobre os quais tem sido invocado o meu nome, diz o
Senhor, que faz estas coisas'" (vs. 14-17). Note que Tiago usou o
plural "profetas". Todos os profetas concordam que o tabernculo
de Davi est sendo reconstrudo por Jesus Cristo o Senhor, e todas
69   Gentry, p. 359 (cf. 1Co 3.16-17; 6.19; 2Co 6.16; Ef 2.19-20; 1Pe 2.5-9).



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as naes gentlicas esto fluindo dentro do mesmo. "Davi
conquistou as naes circundantes para obter toda a extenso da
Terra Prometida. Para um passo infinitamente maior, o
descendente de Davi, Jesus Cristo, governa sobre todas as naes da
terra". 70 Tiago aplicou Ams 9.11-12  presente era da igreja e no a
um milnio futuro.

4. O maior argumento contra a idia dispensacionalista que as
profecias do reino devem ser tomadas literalmente  o fato que
essas passagens, se tomadas literalmente, envolvero os judeus em
atividades claramente negadas pelo Novo Testamento. "Se essas
profecias predizem uma restaurao literal, predizem ento que o
templo ser reconstrudo, o sacerdcio ser restaurado, os
sacrifcios sero novamente oferecidos e todo o ritual mosaico ser
observado em todos os seus detalhes. (Veja as profecias de Ezequiel
do trigsimo stimo captulo em diante.) No entanto, sabemos pelo
Novo Testamento que o cerimonial do Antigo Testamento foi
finalmente abolido; no haver um novo templo feito por mos; no
haver um outro sacerdote, mas o maior sacerdote da nossa
profisso de f; e mais nenhum outro sacrifcio que no aquele j
oferecido na cruz.  totalmente inconsistente com a natureza dos
evangelhos que dever haver uma inaugurao renovada do
Judasmo no seio da Igreja Crist". 71 Os dispensacionalistas esto
cnscios de que o Novo Testamento aboliu a adorao no templo, o
sistema sacrificial e a lei cerimonial. Assim, argumentam que o
restabelecimento do servio do templo ao longo do milnio  apenas
memorial, os sacrifcios oferecidos no so para expiao, apenas
em memria de Cristo. Mas tal argumento desconsidera o fato que
Cristo j deu  igreja um memorial perptuo como um substituto
permanente ao sistema sacrificial: no Antigo Testamento as pessoas
comeriam pores do cordeiro sacrificado, mas no Novo Pacto nos
alimentamos de Cristo espiritualmente na Ceia do Senhor. A idia
que a igreja vai retornar ao que  inferior (Hb 9.11-15), sombra (Hb
10.1; 8.4-5), antiquado (Hb 8.13), simblico (Hb 9.9) e ineficaz (Hb
10.4) durante o milnio  anti-bblica e absurda.

Alm disso, os dispensacionalistas precisam violar o seu prprio
sistema de interpretao literal para sustentar a idia de um sistema
de sacrifcio memorial. "Os sacrifcios `milenares' na profecia de
Ezequiel 45 so expressamente mencionados para `fazer

70 Simon J. Kistemaker, New Testament Commentary: Acts (Grand Rapids: Baker, 1990), p.
555.
71 Hodge, Systematic Theology, 3:808, nfase adicionada.




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propiciao' (Ez 45.15, 17, 20), usando o sentido do hebraico kaphar
(como em Lv 6.30; 8.15; 16.6 ff.). No entanto... o que os literalistas,
lendo `fazer propiciao' iriam imaginar se fosse algo apenas
`memorial'? Onde est o literalismo consistente aqui? Alguns
dispensacionalistas admitem que essa passagem `no est
conferindo um sentido literal', mas apenas `usando os termos com
os quais os judeus estavam familiarizados nos dias de Ezequiel'. Isso
 conveniente, mas ilegtimo". 72 Os dispensacionalistas criticam os
ps-milenistas por no tomarem no sentido literal as profecias do
reino, no entanto eles livremente espiritualizam passagens que no
se encaixam dentro do seu paradigma escatolgico. Se a poro de
uma passagem no pode ser tomada literalmente porque contradiz a
teologia do Novo Testamento, por que ento isso no se aplicaria a
toda a passagem? Por que no ser coerente?

5. Outro obstculo exegeticamente intransponvel para o pr-
milenista  o fato que as profecias do reino no podem ser tomadas
literalmente sem contradizer umas as outras. Algumas profecias
declaram que os gentios no sero permitidos em Jerusalm e no
templo: "Ento vocs sabero que eu sou o Senhor, o seu Deus, que
habito em Sio, o meu santo monte. Jerusalm ser santa; e
estrangeiros [i.e., no-judeus] jamais a conquistaro" (Jl 3.17). "A
partir daquele dia, nunca mais haver um cananita no templo do
Senhor dos Exrcitos" (Zc 14.21). "Assim diz o Soberano, o Senhor:
`Nenhum estrangeiro incircunciso no corao e na carne entrar no
meu santurio, nem tampouco os estrangeiros que vivem entre os
israelitas'" (Ez 44.9). No entanto outras profecias declaram
claramente que todas as naes iro  Jerusalm ao templo santo de
Deus ("a casa do Deus de Jac"): "Nos ltimos dias o monte do
templo do Senhor ser estabelecido como o principal; ser elevado
acima das colinas, e todas as naes correro para ele. Viro muitos
povos e diro: `Venham, subamos ao monte do Senhor, ao templo
do Deus de Jac, para que ele ensine os seus caminhos, e assim
andemos em suas veredas'. Pois a lei sair de Sio, de Jerusalm
vir a palavra do Senhor" (Is 2.2-3). Se algum defende que essas
profecias do reino devem ser interpretadas literalmente, no h
como harmoniz-las entre si. Tomadas literalmente, ensinam que
todas as naes sero convertidas ao Judasmo e fisicamente
circuncidadas "para qualific-las  entrada em Jerusalm e no
templo do Senhor". 73 Essa interpretao iria contradizer o claro

72 Gentry, pp. 153-54, citando de The New Scofield Reference Bible (New York: Oxford, 1967), p.
888, nota 1 (em Ez 43.19).
73 Brown, p. 366.




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ensino do Novo Testamento que os gentios no precisam ser
circuncidados e seguir a lei cerimonial (At 15.24; Gl 2.14; 4.9-11; 5.1-
6, 11-14). Os pr-milenistas sabiamente recuam na defesa dessa
proposio. Se interpretadas literalmente, essas profecias predizem
uma converso mundial dos gentios no ao Cristianismo, mas 
religio judaica do Antigo Testamento.

Uma interpretao literal tambm leva a uma contradio
espalhafatosa entre os profetas Isaas e Malaquias. Em Isaas (2.2-3,
citado acima) todas as naes so previstas como indo ao templo em
Jerusalm, mas em Malaquias a adorao do templo  representada
como tomando lugar em todas as naes. "`Pois do oriente ao
ocidente, grande  o meu nome entre as naes. Em toda parte
incenso  queimado e ofertas puras so trazidas ao meu nome,
porque grande  o meu nome entre as naes', diz o Senhor dos
Exrcitos" (Ml 1.11). Um profeta tem em vista todas as naes
dirigindo-se ao templo em Jerusalm. Outro tem em vista o templo
dirigindo-se a todas as naes. Se tomados literalmente, no fazem
sentido. "H algum, exceto os romanistas, que tomam aqui
`incenso' e `ofertas puras' literalmente? No  o caso de todos
concordarem aqui que a predio significa simplesmente que
adorao aceitvel ascender a Deus, no apenas em Jerusalm,
mas em qualquer lugar, e no apenas pelos judeus, mas por todas as
naes sem distino, de um extremo ao outro do mundo? E como 
que tudo converge para especificamente esse entendimento?
Claramente que, pois  parte do fato que `incenso' e `ofertas', no
sentido judaico, tendo dado lugar debaixo do evangelho a
`sacrifcios espirituais, aceitveis a Deus por meio de Jesus Cristo',
no h outro tipo de adorao por intermdio da qual podemos
entender a predio". 74

Os pr-milenistas no podem harmonizar essas profecias enquanto
sustentarem a sua interpretao literal. Portanto (como visto
acima), arbitrariamente tomam pores das profecias do reino no
sentido literal e espiritualizam as sees que trazem problemas
srios ao seu sistema. Por exemplo, os sacrifcios expiatrios so
assumidos como simplesmente memoriais ao passo que a converso
mundial dos gentios ao Judasmo do Antigo Testamento 
espiritualizada ou ignorada. O modelo de interpretao protestante
padro dessas passagens (at a ascenso do pr-milenismo no
sculo dezenove) era que os profetas do Antigo Testamento estavam
descrevendo a universalidade e a espiritualidade da adorao
74   Ibid., p. 367.



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evanglica por toda a terra, consolidada pelo sucesso do evangelho.
Esses profetas estavam usando a linguagem do Antigo Testamento
para descrever a vitria do reino do Novo Testamento. " inegvel
que os antigos profetas, predizendo os eventos do perodo
messinico e o futuro do reino de Cristo, emprestaram sua
linguagem e figuras dos costumes e prticas do Antigo Testamento.
O Messias  freqentemente chamado de Davi; sua igreja  chamada
de Jerusalm e Sio; seu povo  chamado de Israel; Cana era a
terra da sua herana; a perda do favor de Deus foi representada pela
perda dessa herana; e a restaurao do Seu favor foi representada
pelo retorno  terra prometida. Esse mtodo  to penetrante que a
convico produzida na mente dos cristos  indelvel. Para eles,
Sio e Jerusalm constituem a igreja e no a cidade feita por mos.
Interpretar tudo aquilo que os antigos profetas disseram de
Jerusalm como sendo a respeito de uma cidade terrena, e tudo
aquilo dito de Israel como sendo a respeito da nao judaica, seria
rebaixar o cu a terra e transformar o Cristianismo no Judasmo
corrupto da era apostlica". 75

A interpretao ps-milenista das profecias do reino permite o Novo
Testamento interpretar e detalhar essas profecias. As passagens
mais claras so usadas para interpretar as menos claras. O carter
progressivo da revelao divina  reconhecido e respeitado. Muitas
doutrinas reveladas, mas sombrias debaixo do Antigo Pacto, so
mais extensivamente esclarecidas debaixo do Novo Pacto. O Novo
Testamento ensina que essas profecias seriam cumpridas antes da
segunda vinda e no posteriormente; essas profecias aplicam-se 
igreja e no ao Israel tnico. O pr-milenista rejeita essa viso
porque  forado pelas suas prprias pressuposies a adequar as

75 Hodge, Systematic Theology, 3:809. "Os profetas adequaram suas reflexes a modelos

derivados da dispensao  qual pertenciam, i.e.,  vida, constituio e histria do seu prprio
povo. Em vista desse fato, a questo que naturalmente emerge  se o modelo era fundamental,
de modo que a profecia estaria destinada a se cumprir nos exatos termos em que foi articulada.
Ainda que fosse natural no contexto das profecias relativas ao futuro prximo, no  de forma
alguma auto-evidente que essa concretizao deveria ser tambm nesses termos no caso das
profecias que apontavam a uma dispensao futura. A suposio  que a despeito dos padres de
vida terem experimentado mudanas radicais, nada alm da concretizao da idia central da
profecia poderia ser esperado. De fato, o Novo Testamento claramente demonstra que um
cumprimento literal no deveria ser aguardado em todos os casos... conseqentemente, 
duvidoso assumir que uma profecia no foi cumprida s porque seus detalhes mais explcitos
no se evidenciaram. Cf. Isaas 11.10-16; Joel 3.18-21; Miquias 5.5-8; Zacarias 12.11-14; Ams
9.11-12; Atos 15.15-17" (L. Berkhof, Principles of Biblical Interpretation [Grand Rapids: Baker,
1950], pp. 151-52). Os autores pr-milenistas admitem isso quando questionam guerras com
avies, tanques, helicpteros, armas nucleares etc. Como um profeta do Antigo Testamento
descreveria a igreja de Cristo e sua expanso gloriosa de uma forma tal que fosse compreensvel
 sua audincia? Ele teria que usar uma terminologia com a qual os antigos judeus estivessem
familiarizados.



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pores claras e didticas do Novo Testamento dentro de um
literalismo simplista e inconsistente. O Antigo Testamento no 
interpretado  luz do Novo Testamento, mas este  forado dentro
de uma concepo de Antigo Pacto terrena e tipolgica do reino. H
muitas coisas difceis de entender na Bblia, "mas elas tornar-se-o
mais obscuras se, ao invs de explicar as coisas obscuras por meio
das claras, explicarmos as coisas claras por meio das obscuras,
fazendo o Antigo Testamento o elemento-chave para o Novo. 
esse mtodo anormal que reside na base de todas as expectativas
judaicas dos cristos; e at revertermos esse processo no
estaremos livres do perigo ao qual Jernimo aludiu, de judaizarmos
o nosso Cristianismo, ao invs de cristianizarmos os aderentes do
Judasmo". 76

Embora os pr-milenistas estejam errados quando aplicam as
profecias do reino ao perodo posterior  segunda vinda de Cristo,
esto corretos quando dizem que essas profecias devem ser
cumpridas antes do estado eterno, "como, por exemplo, a
predominncia da ativa oposio ao reino (e.g., Sl 72.4, 9; Is 11.4,
13-15; Mq 4.3), nascimento e envelhecimento (e.g., Sl 22.30-31; Is
65.20; Zc 8.3-5), a converso dos povos (Sl 72.27), morte (e.g., Sl
22.29; 72.14; Is 65.20), pecado (e.g., Is 65.20; Zc 14.17-19),
sofrimento (e.g., Sl 22.29; 72.2, 13, 17) ... distines e interaes
entre naes (e.g., Sl 72.10-11, 17; Is 2.2-4; Zc 14.16-17) ... [e]
embora reduzida a propores menores, haver continuidade das
pragas, a despeito da vitria (Is 65.25)." 77 Assim o ps-milenista cr
que o sucesso global do evangelho na ocasio anterior  segunda
vinda no resulta num perodo de perfeio onde todos so salvos,
mas marca um perodo onde o Cristianismo domina naes e
culturas. Esse perodo pode ser descrito como semi-dourado (no
perfeito, no impecvel), ainda que um perodo configurado por
uma civilizao crist global.




76Brown, p. 373.
77 Gentry, p. 208. Uma passagem que  destruidora da posio amilenista (que v o
cumprimento de muitas profecias do reino no estado eterno)  Is 65.20, 23: "Nunca mais haver
nela uma criana que viva poucos dias, e um idoso que no complete os seus anos de idade;
quem morrer aos cem anos ainda ser jovem, e quem no chegar aos cem ser maldito... No
labutaro inutilmente, nem geraro filhos para a infelicidade; pois sero um povo abenoado
pelo Senhor, eles e os seus descendentes" No estado eterno as pessoas no morrero, nem
mulheres daro  luz.



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                                  O Reino do Messias


A figura proftica do reino de Cristo  multifacetada. Algumas das
profecias fazem meno ao incio e desenvolvimento do reino (e.g.,
Dn 2.35 ff.; Is 9.6-7), ao passo que outras do um vislumbre do
reino no seu estado pleno (e.g., Is 11.9; Mq 4.1-4). Os profetas do
Antigo Testamento predisseram que Cristo teria vitria na histria.
A vitria do reino de Cristo flui da Sua morte e ressurreio. "A
redeno de Cristo  to abrangente quanto o pecado, e mais
poderosa. A ressurreio corporal de Cristo foi mais poderosa que a
morte. Tais so os efeitos objetivos da Sua ressurreio na histria."
78 Os pr-milenistas sustentam que a pregao do evangelho e o

poder do Esprito Santo falham na salvao do mundo. Mas a Bblia
ensina o exato oposto.  verdade que h perodos de declnio,
apostasia e resistncia, mas o cenrio total  de um crescimento at
culminar na vitria. Cristos que baseiam sua doutrina nas ltimas
manchetes ao invs de na Palavra de Deus so pessimistas e
escapistas. "Para Deus todas as coisas so possveis" (Mt 19.26).
"`No por fora nem por violncia, mas pelo meu Esprito', diz o
Senhor dos Exrcitos" (Zc 4.6). "Assim tambm ocorre com a
palavra que sai da minha boca: ela no voltar para mim vazia, mas
far o que desejo e atingir o propsito para o qual a enviei" (Is
55.11).



1. Conhecimento universal do verdadeiro Deus

Os profetas ensinam sobre um tempo quando trevas espirituais,
falsas religies, supersties pags e ignorncia grosseira sero
substitudas pela luz da verdade revelada: "Pois a terra se encher
do conhecimento do Senhor como as guas cobrem o mar" (Is 11.9;
78   Ibid., p. 209.



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cf. Hc 2.14). Como as guas cobrem o fundo do mar? Todo canal,
vale, plancie, morro e montanha do fundo do mar  coberto; no h
desertos no fundo do mar. Da mesma forma, o evangelho inundar
o mundo. "As boas novas da redeno no constituam meramente
notcias locais para alguns povoados na Palestina, mas uma
mensagem para o mundo; e o testemunho abundante e perene da
Escritura  que o reino de Deus deve preencher a terra, `de um mar
a outro, e do Eufrates at os confins da terra' [Zc 9.10]" 79 "Ningum
mais ensinar ao seu prximo nem ao seu irmo, dizendo: `Conhea
ao Senhor', porque todos eles me conhecero, desde o menor at o
maior, diz o Senhor" (Jr 31.34).



2. Todas as naes adoraro Jeov

Deve haver, entre as naes, uma sincera aceitao da verdadeira
religio e adorao espiritual evanglica entre todas as naes.
"`Pois do oriente ao ocidente, grande  o meu nome entre as naes.
Em toda parte incenso  queimado e ofertas puras so trazidas ao
meu nome, porque grande  o meu nome entre as naes', diz o
Senhor dos Exrcitos" (Ml 1.11). "Todos os confins da terra se
lembraro e se voltaro para o Senhor, e todas as famlias das
naes se prostraro diante dele, pois do Senhor  o reino; ele
governa as naes" (Sl 22.27-28). "Todas as naes que tu formaste
viro e te adoraro, Senhor, e glorificaro o teu nome" (Sl 86.9).
"Governe ele de mar a mar e desde o rio Eufrates at os confins da
terra. Inclinem-se diante dele as tribos do deserto, e os seus
inimigos lambam o p. Que os reis de Trsis e das regies litorneas
lhe tragam tributo; os reis de Sab e de Seb lhe ofeream
presentes. Inclinem-se diante dele todos os reis, e sirvam-no todas
as naes." (Sl 72.8-11). O Salmo 72  uma "magnfica descrio do
reino do Messias, como virtuoso (vv. 1-7), universal (vv. 8-11),
beneficente (vv. 12-14), perptuo (vv. 15-17). Trata do benefcio
social (vv. 2-4, 12-14) e econmico do Seu reino (v. 16), bem como
dos benefcios espirituais (vv. 5-7, 17). A imagem da chuva
torrencial aqui reflete a presena espiritual de Cristo na Pessoa do
Esprito Santo (Rm 8.9; Jo 14.16-18) sendo despejado de cima sobre
o mundo (Is 32.15, 44.3; Ez 39.29; Jl 2.28-29; Zc 12.10; At 2.17-18).




79   Boettner, p. 22.



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Cristo est `em' ns via Esprito Santo, que  despejado sobre ns
desde o Pentecoste". 80



3. A igreja sobressair nos acontecimentos do mundo

Embora A Bblia ensine a separao entre igreja e estado, no
ensina a separao entre religio e estado.  para a igreja que Cristo
deu a responsabilidade de expandir o reino e disciplinar todas as
naes (Mt 28.18-20). Assim, os profetas, usando a terminologia do
Antigo Testamento, representaram todas as naes fluindo para
dentro da igreja a fim de receberem instruo e aprenderem a lei de
Deus. "Nos ltimos dias o monte do templo do Senhor ser
estabelecido como o principal; ser elevado acima das colinas, e
todas as naes correro para ele. Viro muitos povos e diro:
`Venham, subamos ao monte do Senhor, ao templo do Deus de Jac,
para que ele nos ensine os seus caminhos, e assim andemos em suas
veredas'. Pois a lei sair de Sio, de Jerusalm vir a palavra do
Senhor" (Is 2.2-3) "No livro de Hebreus, o Monte Sio, a montanha
sagrada de Deus,  espiritualizada a fim de representar a igreja
(12.22). Por essa razo, nessa profecia deve ficar patente que a
igreja, tendo alcanado uma posio tal que desponta como uma
montanha numa plancie, ser proeminente e normativa em todas
as questes do mundo". 81

Mateus cita Isaas 42.1-4 (que fala do "meu servo" [o Messias]
trazendo justia aos gentios) e diz que isso est sendo cumprido. A
profecia de Isaas comeou a se cumprir na primeira vinda de Cristo
e continua se cumprindo por intermdio da Sua igreja. No final da
Grande Comisso Cristo disse, "E eu estarei sempre com vocs, at o
fim dos tempos" (Mt 28.20). "Eis o meu servo, a quem sustento, o
meu escolhido, em quem tenho prazer. Porei nele o meu Esprito, e
ele trar justia s naes... No quebrar o canio rachado, e no
apagar o pavio fumegante. Com fidelidade far justia; no
mostrar fraqueza nem se deixar ferir, at que estabelea a justia

80Gentry, p. 199.
81Boettner, p. 25. "Mas com retido julgar os necessitados, com justia tomar decises em
favor dos pobres. Com suas palavras, como se fossem um cajado, ferir a terra; com o sopro de
sua boca matar os mpios" (Is 11.4). "Como se pela terra, a terra sobre a qual o pobre e o
oprimido viviam, Ele a castigar. Ele est alm desta terra, um ser supra-terreno, supra-eterno;
e Ele pode fazer com essa terra o que Ele quiser. O sopro da sua boca, em si,  como um cajado
com o qual Ele pode castigar e aoitar, `... e da sua boca saa uma espada afiada de dois gumes... '
(Ap 1.16b). O que sai da Sua boca  a Sua Palavra, e essa Palavra  um julgamento, uma Palavra
punitiva" (Edward J. Young, The Book of Isaiah [Grand Rapids: Eerdmans, 1965], 1:385).



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na terra. Em sua lei as ilhas poro sua esperana" (Is 42.1, 3-4).
"Acima de tudo, levar a termo os meios para atingir o seu intento,
isto , trar julgamento [ou justia] sobre a terra. Nesse contexto
terra no  limitada  Palestina, mas refere-se a todo o mundo, e
assim esclarece a universalidade da obra do servo. Alm disso, o
servo trar realmente julgamento sobre terra. Quando concludo o
seu propsito, as marcas do julgamento sero vistas em toda a terra.
A converso dos pagos no  o resultado de um ato pontual,
escatolgico, poderoso, mas do trabalho gradual e incansvel do
servo. Assim, pode ser igualmente dito que porquanto o servo
trabalhe por intermdio dos seus servos, estes tambm esto
includos na figura misteriosa da qual fala o captulo." 82 As ilhas ou
litorais aguardam a lei (ou doutrina) de Cristo. A obra do Messias
continua por meio da Sua igreja e no  concluda at que o
continente mais remoto receba o evangelho. Cristo est
disciplinando as naes, e a Sua obra no termina at que todos os
governos civis determinem as suas leis com base na Sua lei perfeita.
A vitria do evangelho  to certa que o Esprito Santo adiciona as
palavras " vitria a justia" na citao que Mateus faz de Isaas (Mt
12.20).



4. Paz universal

Ainda que o reino de Cristo seja espiritual, ter muitos reflexos de
cunho social na terra: "Ele julgar entre as naes e resolver
contendas de muitos povos. Eles faro de suas espadas arados, e de
suas lanas, foices. Uma nao no mais pegar em armas para
atacar outra nao, elas jamais tornaro a preparar-se para a
guerra" (Is 2.4; cf. Mq 4.3). "Eles moldando suas espadas em arados
e suas lanas em foices,  claramente uma linguagem figurada, uma
representao adequada para os tempos em que essa profecia foi
dada, mas a ser cumprido num futuro distante, em que as naes
no gastariam a sua energia e recursos em guerras destrutivas." 83

82 Young, Isaiah, 3:115. "Cristo foi assentado para convergir toda a terra debaixo da autoridade e
obedincia a Deus; disso resulta que sem ele tudo  confuso e distorcido. Antes de ter vindo ao
nosso encontro, no havia um governo devidamente constitudo; portanto precisamos aprender
a nos submeter a Ele, se desejamos ser justa e favoravelmente governados" (John Calvin,
Commentary on Isaiah, loc. cit.). Quando falamos de um sistema de governo e justia baseado
na lei de Cristo, no queremos nos referir a uma "eclesiocracia" ou um governo dominado pela
igreja. Cristo tem "toda a autoridade nos cus e na terra". O governo e as cortes civis so
compelidos  obedincia a Jesus Cristo a exemplo da igreja. Eles devem empregar a Palavra de
Deus nas suas esferas particulares de autoridade; tal como  justia civil.
83 Boettner, p. 120.




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Esse perodo de paz e prosperidade mundiais no  o resultado da
segunda vinda de Cristo, mas conseqncia de todas as naes
fluindo para dentro da igreja de Cristo (Is 2.2), aprendendo e
aplicando a doutrina de Cristo em suas vidas (v. 3). A paz no  o
resultado de ameaas fsicas da parte de Cristo em Jerusalm, mas o
resultado de coraes regenerados que crem no evangelho e
obedecem a Cristo. O autocontrole flui de um corao regenerado.
Quando a vasta maioria das pessoas sobre a terra tornar-se crist, a
guerra ser apenas encontrada nos livros de histria. "O lobo viver
com o cordeiro, o leopardo se deitar com o bode, o bezerro, o leo e
o novilho gordo pastaro juntos; e uma criana os guiar. A vaca se
alimentar com o urso, seus filhotes se deitaro juntos, e o leo
comer palha como o boi. A criancinha brincar perto do
esconderijo da cobra, a criana colocar a mo no ninho da vbora.
Ningum far nenhum mal, nem destruir coisa alguma em todo o
meu santo monte, pois a terra se encher do conhecimento do
Senhor como as guas cobrem o mar" (Is 11.6-9). "Esses versculos
[v. 6] e os trs subseqentes descrevem a pacificidade do reino do
Messias... Criaturas selvagens e dceis devero conviver juntas, e o
primeiro se tornar no ltimo; o que no deve ser entendido
literalmente acerca das criaturas selvagens, como se fossem perder
a sua natureza... mas figurativamente a respeito do homem,
comparvel s criaturas selvagens, que por intermdio do poder da
graa divina, em adio  palavra pregada, deve se tornar dcil,
compassivo, brando e humilde." 84 Isso vir como resultado j da
primeira vinda de Cristo, pois Ele  o tronco de Jess ungido pelo
Esprito Santo (vv. 1-2).



5. Grande prosperidade

Uma passagem que demonstra que a expanso mundial do
Cristianismo trar grandes benefcios econmicos e sociais  Isaas
65.17-25. Embora Isaas faa uso da terminologia para o novo cu e
a nova terra, no pode estar se referindo ao estado eterno, pois
descreve pessoas experienciando "nascimento, envelhecimento,
morte, tempo, pecado e maldio." 85 "Cu e terra so empregados
como figuras para indicar uma completa renovao ou revoluo no
presente curso dos acontecimentos. Com o advento do Messias a

84 John Gill, An Exposition of the Old Testament (Streamwood, IL: Primitive Baptist Library,
1979 [1810]), 5:71.
85
   Gentry, p. 363.



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bno a ser revelada ser em todos os sentidos to ampla que pode
ser apenas descrita como a criao de um novo cu e uma nova
terra." 86 Isaas 65.17-25 diz,

     "`Pois vejam! Criarei novos cus e nova terra, e as coisas
     passadas no sero lembradas. Jamais viro  mente!
     Alegrem-se, porm, e regozijem-se para sempre no que vou
     criar, porque vou criar Jerusalm para regozijo, e seu povo
     para alegria. Por Jerusalm me regozijarei e em meu povo
     terei prazer; nunca mais se ouviro nela voz de pranto e choro
     de tristeza. Nunca mais haver nela uma criana que viva
     poucos dias, e um idoso que no complete os seus anos de
     idade; quem morrer aos cem anos ainda ser jovem, e quem
     no chegar aos cem ser maldito. Construiro casas e nelas
     habitaro; plantaro vinhas e comero do seu fruto. J no
     construiro casas para outros ocuparem, nem plantaro para
     outros comerem. Pois o meu povo ter vida longa como as
     rvores; os meus escolhidos esbanjaro o fruto do seu
     trabalho. No labutaro inutilmente, nem geraro filhos para
     a infelicidade; pois sero um povo abenoado pelo Senhor, eles
     e os seus descendentes. Antes de clamarem, eu responderei;
     ainda no estaro falando, e eu os ouvirei. O lobo e o cordeiro
     comero juntos, e o leo comer feno, como o boi, mas o p
     ser a comida da serpente. Ningum far nem mal nem
     destruio em todo o meu santo monte', diz o Senhor."

O reino de Cristo e a divulgao do evangelho tero grande
influncia sobre o mundo. Haver uma grande longevidade fsica (v.
20). Assim como os israelitas receberam por herana a
prosperidade dos egpcios, os cristos recebero por herana a
tecnologia e a cincia dos pagos. As pragas e maldies que
acompanham uma sociedade em rebelio contra Cristo (e.g., aborto,
corrupo nacional, imoralidade sexual etc) cessaro  medida que
a comunidade crist obtiver as bnos do pacto ao invs das
maldies do pacto. Haver grandes benefcios econmicos. "Os
homens obtero os frutos dos seus labores. Deixaro uma herana 
sua descendncia." 87 A ameaa dos crimes, guerras e doenas ser
to minimizada que as pessoas se deleitaro por muitos anos com os



86
  Young, Isaiah, 3:514.
87Gary North, Millennialism and Social Theory (Tyler, TX: Institute for Christian Economics,
1990), p. 106.



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frutos dos seus labores (vv. 21-23). "No mais haver perseguio 
igreja de Cristo, o santo monte de Deus." 88




88   Gill, 5:387.



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                      A Questo da Interpretao


A principal questo que separa o pr-milenismo do ps-milenismo 
de ordem interpretativa. Os pr-milenistas insistem que as profecias
do reino do Antigo Testamento devem ser interpretadas
literalmente e por sua vez aplicadas somente ao Israel tnico.
Partindo dessa pressuposio o pr-milenista  forado a ignorar
e/ou torcer as muitas passagens do Novo Testamento que
contradizem a sua posio. Por outro lado, os ps-milenistas
sustentam que essas profecias podem somente ser compreendidas 
luz da doutrina do Novo Testamento. Portanto o ps-milenista
interpreta figurativamente muitos profecias do reino, no porque
tenha uma preferncia pela interpretao figurada, mas porque o
Novo Testamento requer isso. Se os apstolos aplicaram expresses
do Antigo Pacto tais como templo, Monte Sio, a Nova Jerusalm e
o Israel de Deus  igreja do Novo Pacto, no estamos justificados
quando fazemos o mesmo?

A era messinica predita pelos profetas teve incio com a primeira
vinda de Cristo. A era final da histria designada como "os ltimos
dias" iniciou com a ascenso e glorificao de Cristo. 89 O Israel do
Antigo Pacto abriu caminho  igreja do Novo Pacto  o novo e
genuno "Israel de Deus" (Gl 6.16). O reino estabelecido por Cristo
est se expandindo progressivamente por toda a terra, atravs da
evangelizao de todas as naes pela igreja de Cristo. A pedra est
se tornando uma montanha e enchendo toda a terra (Dn 2.35), o
gro de mostarda est crescendo e se tornando uma grande rvore
(Lc 13.19), e toda a terra sendo fermentada pelo evangelho (Lc
13.21). A igreja  que  a Nova Jerusalm, o Sio do Novo Pacto de

89  A citao bblica "os ltimos dias" diz respeito  era messinica. Os apstolos viviam nos
ltimos dias. Pedro disse " ... conhecido antes da criao do mundo, revelado nestes ltimos
tempos em favor de vocs" (1Pe 1.20). O autor de Hebreus disse que Deus " ... nestes ltimos
dias falou-nos por meio do Filho" (Hb 1.2). Pedro citou Joel 2.28-32 e disse que essa profecia se
referia a Cristo derramando o Esprito Santo no dia de Pentecostes: "`Nos ltimos dias, diz Deus
... '" (At 2.17) Tiago, escrevendo aos cristos do seu tempo, disse "Vocs acumularam bens nestes
ltimos dias" (Tg 5.3). Os pr-milenistas tm vindicado que a sua  a ltima gerao desde
1830! Passados cinqenta anos, os livros de Hal Lindsey podem ser encontrados a preo de
banana em livrarias de garagem.
                                                                                              61


Deus (Hb 12.22; Ap 21.2)  est sendo "elevado acima das colinas, e
todas as naes correro para ele" e aprendero a Palavra de Deus
(Is 2.2-3). Deus est mesmo agora reconstruindo o Seu templo
glorioso, a igreja (Ef 2.21-22; At 15.14-18). Jesus Cristo mesmo
agora vive e reina com o Seu povo atravs do Seu Esprito (1Co 3.16-
17; Ap 20.4). O tempo est vindo quando mesmo todo o Israel
(tnico) ser salvo e enxertado na nica oliveira cultivada de Deus 
a Igreja do Novo Pacto (Rm 11.25-26). O plano de Deus de salvar
todas as naes por meio de uma Semente (i.e., Jesus Cristo) no se
tratou de um projeto posterior, mas um ponto central no pacto com
Abrao. 90 As profecias do Antigo Testamento no foram dadas para
permanecer isoladas. Elas so incompletas sem o Novo Testamento.
Quando o Novo Testamento  ignorado, essas profecias so
judaizadas. O que  trgico no pr-milenismo  que a gloriosa
vitria mundial da cruz foi traduzida numa pesada derrota, e a
igreja triunfante declarada como igreja impotente. "Em nenhum
lugar do Novo Testamento h qualquer dvida ou hesitao quanto
 certeza da presena do reino que alguns anos antes foi anunciado
como `s portas'.  implcito em todos os lugares que o reino do qual
falam os Salmos e os Profetas foi designado por Deus para trazer 
plenitude tudo aquilo incondicionalmente prometido ao patriarca
Abrao,  nao de Israel e  Davi, o rei. Todas as subseqentes
promessas, predies e pactos foram designados por Deus para
implementar  trazer para usufruto  tudo aquilo envolvido na
antiga promessa a Abrao de uma beno de abrangncia mundial 
raa humana." 91

O ps-milenismo reconhece que os acontecimentos mais
importantes na histria humana foram a vida, a morte sacrificial e a
ressurreio do Senhor Jesus Cristo. Ele exalta a cruz e os seus
efeitos sobre o mundo. Jesus Cristo derrotou o pecado e Satans no
Calvrio. Ele levantou dos mortos e recebeu toda a autoridade no
cu e sobre a terra (Mt 28.18). Cristo foi entronizado como rei 

90 "Esteja certo de que o abenoarei e farei seus descendentes to numerosos como as estrelas do
cu e como a areia das praias do mar. Sua descendncia conquistar as cidades dos que lhe
forem inimigos e, por meio dela, todos os povos da terra sero abenoados, porque voc me
obedeceu" (Gn 22.17-18). O apstolo Paulo faz referncia  promessa de Deus a Abrao em Rm
4.13. Ele no diz que Abrao seria herdeiro de Cana, mas que "herdaria o mundo". Para Paulo,
Cana foi apenas um smbolo. Os israelitas conquistaram Cana com a espada fsica; a igreja de
Cristo est conquistando o mundo com a espada espiritual: a Palavra de Deus. Abrao 
informado de que seus descendentes conquistaro as portas dos inimigos. Jesus disse que as
portas do Hades no prevalecero contra a sua igreja (Mt 16.18). A igreja de Cristo deve ficar na
ofensiva. Jesus mesmo prometeu que nada  nem mesmo Satans  pode interromper o avano
da Sua igreja. A vitria est garantida.
91 Roderick Campbell, Israel and the New Covenant (Philadelphia: Presbyterian and Reformed,

1954), p. 193.



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destra de Deus o Pai, e como um rei conquistador derramou o
Esprito Santo sobre a igreja, dando-lhe poder para levar a termo a
incumbncia do domnio mundial (Jo 15.7; At 2.1-4, 33-36). Cristo
est progressivamente subjugando Seus inimigos e no vai retornar
at que todos os Seus eles sejam vencidos (1Co 15.25-26).

Antes da queda Deus ordenou a Ado que exercesse domnio sobre a
terra (Gn 1.28). Ado e a sua descendncia deveriam desenvolver
uma civilizao global religiosa. Mas ele pecou, e a raa humana
caiu com ele. Deus no renunciou ao Seu plano de uma civilizao
global religiosa. Mas por causa do pecado, a dominao religiosa
poderia somente ser efetuada por intermdio de um redentor  o
segundo Ado. Jesus Cristo veio no apenas para salvar algumas
poucas pessoas aqui e ali, mas para salvar o mundo todo, disciplinar
todas as naes at a consolidao de uma cultura religiosa crist.
Uma vez que o ps-milenismo  da opinio que a Grande Comisso
e o discipulado de todas as naes vo ocorrer na histria antes da
segunda vinda,  tanto otimista quanto perseverante. Evangelismo,
estabelecimento de igrejas e discipulado so a chave para o
crescimento do reino at a vitria. "O cristo deve lutar nas
circunstncias difceis na expectativa de um desenvolvimento
gradual do reino pleno de Cristo na histria." 92 A vitria prometida
pelos profetas, consumada definitivamente na cruz e assegurada
pelo poder e presena do Esprito Santo deve nos incitar a pr mos
 obra. "Portanto, meus amados irmos, mantenham-se firmes, e
que nada os abale. Sejam dedicados  obra do Senhor, pois vocs
sabem que, no Senhor, o trabalho de vocs no ser intil" (1Co
15.58).

O pr-milenismo  a escatologia da derrota e da fuga. Ele ensina que
a Grande Comisso vai fracassar e que o plano de Deus para uma
civilizao global religiosa no vai ocorrer na histria. A nfase
entre os pr-milenistas est no testemunho pessoal, acolhimento e
construo de imprios para pastores (e.g., Jimmy Swaggart, Jim e
Tammy Bakker, etc). A postura na sociedade  "no lustre o lato de
um navio  deriva". H uma negligncia proposital s questes
culturais, sociais, artsticas, econmicas e polticas. 93 "O
92Gentry, p. 534.
93 Desde 1980 tem havido um crescimento visvel de pr-milenistas envolvendo-se nas esferas
cultural, social e poltica. O crescimento  basicamente resultado de dois fatores: Primeiro, as
coisas tm ficado to ruins na Amrica, culturalmente (homossexualidade, pornografia,
violncia, adultrio, fornicao etc), socialmente (crime, aborto, drogas etc) e politicamente
(estadismo, taxas confiscatrias, polticas ms etc), que mesmo muitos pr-milenistas no
poderiam se manter  margem da situao (s a questo do aborto j foi em si um catalisador
para milhares de crentes). Segundo, alguns pr-milenistas muito influentes tm sido



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amilenismo e o pr-milenismo esto em retirada do mundo e da sua
capitulao blasfema ao demnio. Com base nas premissas, que ou
o mundo ficar cada vez pior (amilenismo) ou que a esperana
crist se deposita no arrebatamento (pr-milenismo), corta-se o
nervo do ativismo cristo. Quem, lendo a recente obra de Hal
Lindsey, The Terminal Generation, vai embarcar numa tal aventura
religiosa, a exemplo de uma escola crist, trabalhando para atingir
metas polticas crists, mandamento bblico e assim por diante? Se
sustentarmos que o mundo pode apenas piorar, ou que seremos em
breve arrebatados para fora disso tudo, que tipo de motivao resta
para considerar a palavra de Deus no trato dos problemas do
mundo? O resultado  inevitavelmente um s: crentes pr-
milenistas e amilenistas que professam f em toda a palavra de
Deus representam numa estimativa conservadora vinte e cinco por
cento da populao americana. Representam tambm a camada
mais importante da sociedade americana, com o menor impacto
sobre a vida americana." 94 O pr-milenismo deve ser rejeitado
porque considera a vitria de Cristo um pesado fracasso na histria,
encoraja uma fuga das nossas responsabilidades do reino, e no 
bblico. "Qualquer teoria que menospreza de tal forma o evangelho
da graa de Deus deve ser falsa." 95 "As Escrituras no somente no
ensinam o sistema pr-milenista como definitivamente o excluem
como uma interpretao possvel." 96




persuadidos pelas obras de R. J. Rushdoony e Gary North (e.g., Pat Robertson). Esse
envolvimento  ainda muito tmido (apesar de tudo, existem cerca de 55 milhes de
evanglicos), e  totalmente inconsistente com as pressuposies pr-milenistas. Se o
arrebatamento est apenas a alguns anos  frente (como cr a vasta maioria dos crentes
evanglicos), ento qual  o sentido de construir escolas, clnicas, universidades e organismos
polticos? Por que algum deveria mesmo se preocupar em comprar uma casa, ter uma grande
famlia e trabalhar a fim de assegurar uma herana  gerao seguinte, se no h uma gerao
seguinte? A ampla maioria dos pr-milenistas est ainda  margem, assistindo a nossa
sociedade descer fundo pelo ralo no atoleiro do pecado e da apostasia. A escatologia do
pessimismo, da derrota e da fuga tem se tornado, em larga medida, uma profecia auto-
cumprida.
94 R. J. Rushdoony, "Postmillennialism Verses Impotent Religion," Journal of Christian

Reconstruction, 3:126-27.
95 Hodge, Systematic Theology, 3:865.
96 Boettner, p. 375.




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                                          Objees


Algumas objees tm sido levantadas contra o ps-milenismo; a
seguir, algumas delas:

1. Se o ps-milenismo  verdadeiro, ento por que o sculo vinte
testemunhou um grande declnio moral e espiritual? Embora os
ps-milenistas creiam no avano do evangelho ao longo do perodo
entre-adventos, isso no significa que no existiriam fases de
apostasia e declnio durante o perodo. Se algum examina o
crescimento do Cristianismo, da sua ascenso at o presente dia, o
progresso do evangelho  surpreendente. Quando o apstolo Paulo
morreu em 68 d.C. a maior parte da Europa estava imersa em trevas
espirituais. Muitas religies europias praticavam o sacrifcio
humano e o misticismo. O evangelho  responsvel por um incrvel
progresso espiritual, tico, econmico e poltico em muitas partes
do mundo. Mesmo ao longo das ltimas centenas de anos de
declnio espiritual no ocidente, o evangelho fez avanos
surpreendentes na Coria do Sul, regies da frica, regies da
Amrica Latina e do Sul, e mesmo agora em regies daquilo que
antes constitua a Unio Sovitica. Ningum deve cometer o erro de
julgar longos perodos de tempo com base somente numa pequena
parte dele. A Europa sofria um declnio espiritual no final do dcimo
quinto e incio do dcimo sexto sculo, e ento no intervalo de
algumas poucas geraes mais da metade da Europa era convertida
a Cristo (a Reforma expandida na Alemanha, Frana, Inglaterra,
Esccia, Pases Baixos, Sua etc). "O debate escatolgico deve ser
feito sobre a base das anlises bblicas e no nos termos de uma
exegese de folhetim. Argumentos-atalhos da experincia podem ter
peso entre aqueles no-teologicamente inclinados, mas no devem
ter influncia sobre um argumento teolgico tendo em vista as
observaes acima. Abrao era velho e sem filhos quando o Senhor
lhe prometeu uma descendncia inumervel (Gn 15.5). Ele mesmo
morreu tendo somente um filho legtimo. No entanto creu que Deus
cumpriria a Sua palavra." 97 A Escritura deve ser interpretada pela

97
     Gentry, pp. 433-34.



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Escritura, no pelo The New York Times. Julgar as promessas
divinas nos termos dos ltimos noticirios  colocar um padro
humano, falvel e mutvel acima da Palavra de Deus.

2. O ps-milenismo no levaria  fuso entre igreja e estado? No.
Os ps-milenistas defendem a separao entre igreja e estado.
Cristo  o cabea tanto da igreja como do estado. A igreja 
responsvel pela obedincia a Cristo dentro da sua esfera de
autoridade ordenada por Deus, e o estado  responsvel pela
obedincia a Cristo dentro da sua esfera de autoridade concedida
por Deus (justia civil e defesa nacional). A igreja recebe suas
ordenanas da Bblia, e o estado deve definir as suas leis debaixo da
lei moral imutvel de Deus. Cristo recebeu toda a autoridade nos
cus e na terra (Mt 28.18). Argumentar que o estado no 
ordenado a aplicar a Palavra de Deus s suas esferas de autoridade 
conceder ao estado um poder tirnico ilimitado. O estado no deve
interferir nos assuntos da igreja, e a igreja no deve interferir nos
assuntos de estado; no entanto, ambos devem ter Cristo em vista e
obedecer a Sua Palavra, pois Ele  o rei e o Senhor de tudo.

3. Cristo no precisa estar fisicamente presente na terra como rei
para que o seu reinado seja algo concreto? No. Essa objeo
pressupe que Cristo veio estabelecer um reino fsico e poltico.
Como explicado acima, a Bblia ensina que Cristo veio estabelecer
um reino espiritual. A Palavra de Deus declara que Cristo  o rei
exaltado e glorificado que governa dos cus. Ele est
espiritualmente presente na Sua igreja (2Co 13.5; Cl 1.27), e as
bnos espirituais que fluem da Sua exaltao so mesmo mais
proveitosas  igreja do que a Sua presena fsica. O Pentecostes foi o
resultado do Rei derramando o Esprito Santo sobre a Sua igreja. A
igreja tem mais poder aps a ascenso do que tinha antes. Se a
presena fsica de Cristo fosse crucial ao reino, teria Jesus dito aos
seus apstolos "Mas eu lhes afirmo que  para o bem de vocs que
eu vou. Se eu no for, o Conselheiro no vir para vocs; mas se eu
for, eu o enviarei. Quando ele vier, convencer o mundo do pecado,
da justia e do juzo" (Jo 16.7-8)?

4. Se o mundo todo  convertido a Cristo, como pode haver uma
rebelio final na consumao do milnio? A Bblia ensina que
haver uma rebelio satnica no final do milnio (Ap 20.7-9). A
Satans ser permitido por um breve perodo ("um pouco de tempo"
Ap 20.3) enganar novamente as naes. No nos  dada a razo para
Deus permitir essa rebelio final. Essa rebelio final no  um


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problema para o ps-milenista, pois ele no acredita que qualquer
pessoa viva ser salva. "A profecia de Ezequiel sobre o Rio da Vida
sugere que algumas reas remotas da terra  os `charcos' e os
`pntanos'  no sero saneados, mas sero `deixados para o sal',
permanecendo no-reavivados pelas guas da vida (Ez 47.11). Para
mudar a ilustrao: embora o `trigo' cristo venha a ser dominante
na cultura mundial, tanto o trigo quanto o joio crescero juntos at
a ocasio da colheita, a consumao dos tempos (Mt 13.37-43). A
essa altura, como os dois grupos em potencial chegam 
maturidade,  medida que cada lado torna-se plenamente
constrangido na sua determinao em obedecer ou rebelar-se,
haver um conflito final. O Drago ser solto por um breve
momento, a fim de enganar as naes na sua nsia derradeira de
subverter o reino". 98 O "um pouco de tempo" de Ap 20.3 no  uma
citao exata. Talvez uma nova gerao que no compartilhe a f
dos pais acabe entrando em cena. Como uma rebelio tal poderia
ocorrer aps um longo perodo de influncia crist  exemplificado
lembrando-se do que ocorreu na Nova Inglaterra puritana (e.g.,
Unitarianismo).

5. Jesus no disse que a porta que leva  vida  estreita, e que "so
poucos os que a encontram" (Mt 7.14)? Esse versculo parece
contradizer a declarao ps-milenista que supostamente ser salva

98 Chilton, p. 519. A interpretao pr-milenista de Ap 20.7-9 apresenta srios problemas em si
mesma (como notado acima). Jesus Cristo, que pde sofrer humilhao uma s vez, 
novamente submetido a ela. H o absurdo de exrcitos pagos atacando Cristo e os santos com
projteis e bombas, a despeito deles terem corpos imortais e glorificados e assim no poderem
ser feridos ou mortos. Alm disso, o Novo Testamento ensina que Jesus Cristo no est na terra
quando cai fogo do cu para salvar os santos, mas que Ele retorna em chamas flamejantes.
Chilton ressalta o abuso pr-milenista dos termos "Gogue e Magogue": "Aqueles que
interpretam a guerra de `Gogue e Magogue' como um conflito final envolvendo a Unio
Sovitica, usualmente se vangloriam por serem `literalistas'. No entanto devemos levar em
considerao o que est implicado numa interpretao estritamente literal de Ezequiel 38-39: 1.
A razo para Gogue invadir Israel  a de saquear a sua prata e ouro, e tomar o seu rebanho
(38.11-13); contrariando muitas exposies pr-milenistas, nada  dito sobre a expropriao do
petrleo de Israel ou da extrao de minerais do Mar Morto. 2. Todos os soldados de Gogue
esto montados em cavalos (38.15); no h soldados em caminhes, jipes, tanques, helicpteros
ou jatos. 3. Todos os soldados de Gogue esto carregando espadas, escudos e capacetes (38.4-5);
suas outras armas so arcos e flechas de madeira, porretes e lanas (39.3, 9). Ao invs de lenha
(aparentemente no  considerado nem mesmo o uso de gs, eletricidade ou energia solar), os
israelitas vitoriosos usaro como combustvel as armas de madeira de Gogue, por sete anos
(39.9-10)... A expresso Gogue e Magogue no se refere e nunca se referiu  Rssia. Isso 
totalmente fruto da imaginao, repetido tantas e tantas vezes que muitos simplesmente
aceitaram isso como verdade. Razes aparentes para essa interpretao foram baseadas numa
leitura esquisita de Ezequiel 38.3, que fala de `Gogue, prncipe maior de Meseque e de Tubal'. O
termo prncipe representa, em hebraico, rosh; assim, alguns tm traduzido o texto como `Gogue,
o prncipe de Rosh'. Rosh soa algo como Rssia [N.T. pronunciando no ingls]; portanto Gogue
 o prncipe (ou premi) da Rssia. Infelizmente para essa interpretao engenhosa, rosh
significa simplesmente cabea, e  usado mais de 600 vezes no Antigo Testamento  nunca
significando Rssia" (ibid., pp. 521-22).



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a vasta maioria da humanidade. Mas a Bblia no diz tambm que
os redimidos constituiro uma grande multido (Ap 7.9)? Jesus no
disse alguns versculos depois que muitos sentaro  mesa com
Abrao, Isaque e Jac no Reino dos cus (Mt 8.11)? A Bblia no
pode se contradizer. Como deve Mateus 7.13-14 ser interpretado 
luz das muitas passagens que falam de uma vitria global do reino
de Cristo? Primeiro, tenha em mente que Cristo no estava fazendo
uma declarao proftica acerca do futuro, mas simplesmente
descrevendo a situao presente. Com a declarao, estava
incitando os discpulos a agir, e no predizendo o futuro. "Eles
deveriam olhar ao seu redor e perceber que muitas almas estavam
sucumbindo, porquanto poucos homens procuravam a retido e a
salvao. O que fariam diante dessa situao lamentvel? Amariam
a Ele o suficiente para tentar reverter esse quadro? O desafio
lanado a eles era tico". 99 Essa interpretao  amparada por
Lucas 13.23, onde Cristo levanta a mesma questo e focaliza a Sua
ateno no no nmero dos salvos, mas sobre a importncia e a
urgncia deles alcanarem a salvao desde j.

6. Lucas 18.8 no diz que na ocasio do Seu retorno, Cristo no
encontrar f na terra? Na parbola da viva persistente Jesus
disse "Contudo, quando o Filho do homem vier, encontrar f na
terra?" Muitos pr-milenistas assumem que a pergunta d margem
a uma resposta negativa  que Cristo retornar a um mundo
apstata, descrente. Em resposta devemos notar que o contexto diz
que Cristo refere-se provavelmente  f daquele que  perseverante
na orao e no  f crist de modo geral (cf. vv. 1-8). Alm disso, se
o ponto de vista pr-milenista fosse plausvel, estaria sugerindo que
no retorno de Cristo no seria encontrado um s cristo. Nem
mesmo os pr-milenistas crem nessa possibilidade, pois a Bblia
ensina que no retorno de Cristo haver muitos cristos. A pergunta
de Cristo admite uma resposta negativa? No, a gramtica grega d
margem a uma resposta ambgua. 100 Por qu? Porque Cristo estava
fazendo uma pergunta no contexto do Seu ensino sobre a orao
persistente a fim de motivar os Seus discpulos a orarem como a
viva persistente. Aps a Sua ascenso, os apstolos sofreriam
perseguio e srios perigos; portanto, precisavam perseverar na

99Gentry, p. 475.
100"De fato, a pergunta no `assume' uma resposta negativa em absoluto. No  uma pergunta
retrica. A gramtica grega clssica Funk-Blass-Debrunner nota que quando  usada uma
partcula interrogativa, como em Lucas 18.8, `ou  usada para sugerir uma resposta afirmativa,
me (meti)  usada para sugerir uma resposta negativa... ' Mas nenhuma dessas partculas ocorre
no nosso exemplo, assim  implicada  questo uma resposta `ambgua', pois o termo grego aqui
usado (ara) sugere apenas `ansiedade ou impacincia'" (Gentry, p. 481).



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orao. "Assim, fica patente que essa passagem  extremamente
mal-compreendida quando lanada contra o ps-milenismo. O seu
padro  mal-interpretado. O ensino do Senhor relativo  orao
fervorosa  alterado para algo como um alerta sobre a existncia da
f crist no futuro." 101

7. Cristo no prometeu aos doze apstolos que eles sentariam em
onze tronos e julgariam as doze tribos de Israel? O pr-milenista
interpreta Lucas 22.29-30 e Mateus 19.28 literalmente. Ele cr que
essas passagens ensinam que os doze apstolos sentar-se-o em
tronos e, como lderes polticos, governaro o mundo ao longo do
milnio. O ps-milenista cr que essas passagens referem-se ao
governo espiritual dos apstolos como embaixadores de Cristo. H
muitas razes para que a interpretao pr-milenista seja rejeitada.
Primeiro, j percebemos que o conceito de um reino judaizado,
terreno e poltico  totalmente contrrio  natureza espiritual do
reino como ensinado por Cristo e os apstolos. Segundo, Jesus
ensinou que o reino era uma realidade espiritual presente e no um
reino terreno futuro. Terceiro, na passagem de Lucas 22.29-30,
Jesus usou o tempo presente e no o futuro. "E eu lhes designo um
Reino, assim como meu Pai o designou a mim' (Lc 22.29). O grego
de `designo'  diatithemai, que  um presente indicativo e que
sinaliza um desgnio presente.... Aqui, Cristo o Rei informa que est
presentemente designando uma autoridade formal sobre os Seus
apstolos; eles so os Seus embaixadores (2Co 5.20) que reinam
com Ele (Rm 5.17, 21)." 102 Alm disso, essa passagem no pode ser
tomada no sentido literal, pois as doze tribos foram levadas pelos
assrios em 722 A.C., sendo completamente desintegradas e depois
agregadas aos gentios. Portanto, a nica forma que os apstolos
poderiam julgar as doze tribos seria julgando os gentios e os judeus,
que  precisamente o que Cristo os instruiu a fazer (cf. Mt 28.18-
20). "Acredito, com Calvino, que a regenerao tem relao com a
dispensao do Evangelho. Tem relao com a nova ordem das
coisas que iniciaram com o advento de Cristo. A regenerao  outra
expresso para o reino de Deus." 103




101 Ibid., p. 482.
102 Ibid., pp. 484-85.
103 Kik, An Eschatology of Victory, p. 215.




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             Falcias Escatolgicas Comuns


Existe certo nmero de falcias escatolgicas comuns sustentadas
pelos pr-milenistas e amilenistas. As mais comuns dizem respeito
ao anticristo,  besta e  marca da besta.



1. O anticristo

A maior parte dos cristos de hoje diz que o anticristo j nasceu e
que est s portas de tornar-se conhecido no cenrio mundial como
um brilhante, mas perverso lder mundial. Embora o anticristo seja
talvez a figura mais popular no corrente cenrio proftico, 
tambm o mais mal-compreendido. O problema  que os autores
pr-milenistas concentram as suas atenes no pequeno chifre de
Daniel, no homem de pecado de Paulo e na besta do Apocalipse,
mas ignoram as passagens da Escritura que realmente falam do
anticristo. H somente quatro versculos da Escritura que
expressamente mencionam "anticristo", todos nas cartas de Joo.
(1Jo 2.18, 22; 4.3; 2Jo 7). Joo corrige a falsa noo de anticristo
que apareceu entre os cristos em seu tempo; declara que o
anticristo no  uma realidade de um futuro distante, mas da
presente realidade. Em segundo lugar, ele diz que o anticristo no 
simplesmente uma pessoa, mas um grupo amplo de pessoas.
Terceiro, ele define o anticristo no como uma pessoa (um futuro
lder mundial), mas como um movimento em curso: "Filhinhos, esta
 a ltima hora e, assim como vocs ouviram que o anticristo est
vindo, j agora muitos anticristos tm surgido. Por isso sabemos
que esta  a ltima hora" (1Jo 2.18). Muitos cristos do tempo de
Joo tinham ouvido que o anticristo (singular) estava vindo. Joo
respondeu-lhes dizendo que j agora muitos anticristos (plural)
tm surgido. O verbo "surgido" ou "aparecido" (gegonasin) indica
que esses anticristos apareceram no passado e que ainda esto
presentes. A presena desses anticristos prova que "esta  (tempo
presente) a ltima hora" (2.18). Assim,  evidente que Joo (que
escreveu o livro de Apocalipse) rejeitou a idia de um anticristo


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futuro e individual; ao invs disso, alertou os cristos acerca de um
movimento (ou movimentos) herticos. H muitos anticristos. "De
fato, muitos enganadores tm sado pelo mundo, os quais no
confessam que Jesus Cristo veio em corpo. Tal  o enganador e o
anticristo" (2Jo 7). "Quem  o mentiroso, seno aquele que nega que
Jesus  o Cristo? Este  o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho"
(1Jo 2.22). "`Esses anticristos que tm surgido', diz Joo, `saram do
nosso meio, mas na realidade no eram dos nossos'. Em outras
palavras, eles se elevaram  posio de cristos, alegaram ser
cristos, professaram ser lderes da Palavra na Igreja Crist, e, no
entanto, foram separados dos cristos para que ficasse evidente a
todos que no eram deles. Em suma, demonstravam um deleite na
verdadeira religio e no obstante a destruam." 104 Joo focaliza a
ateno dos seus leitores sobre um, ou talvez dois, movimentos
herticos. O primeiro, provavelmente gnstico na sua origem, negou
a humanidade genuna de Jesus Cristo (2Jo 7). O segundo,
provavelmente judaico na sua origem, negou que Jesus tenha sido o
Messias (1Jo 2.22). "Joo claramente aplica a concepo de
anticristo (ho antichristos)  tendncia generalizada de se propalar
inverdades sobre a identidade de Cristo." 105 "Mas todo esprito que
no confessa Jesus [como vindo em carne] no procede de Deus.
Esse  o esprito do anticristo, acerca do qual vocs ouviram que
est vindo, e agora j est no mundo" (1Jo 4.3). "O anticristo no 
um governador individual, malvolo, aparecendo no futuro. Antes, o
anticristo foi uma tendncia hertica contempornea acerca da
identidade de Cristo, influente entre muitas pessoas dos dias de
Joo." 106


2. A besta

Outra figura bblica muito mal-compreendida  a besta do
Apocalipse. Ao menos a besta, ao contrrio do anticristo,  um lder
poltico real. O problema da maior parte das interpretaes
modernas que buscam definir a besta  que muitas referncias
textuais para essa definio fornecidas por Joo so ignoradas
porque isso convm  idia de um futuro imprio Romano
revitalizado.



104 Martyn Lloyd-Jones, Walking with God: Studies in I John (Wheaton, IL: Crossway, 1993), p.
100.
105 Gentry, p. 373.
106 Ibid., p. 374.




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No livro de Apocalipse a besta  identificada tanto como um imprio
como um lder de um imprio. Esse imprio  sem dvida o imprio
Romano dos dias de Joo. Em Apocalipse 13 Joo est sentado na
areia da praia observando a besta subindo dos mares. A besta tem
"dez chifres e sete cabeas, com dez coroas, uma sobre cada chifre, e
em cada cabea um nome de blasfmia. A besta que vi era
semelhante a um leopardo, mas tinha ps como os de urso e boca
como a de leo. O drago deu  besta o seu poder, o seu trono e
grande autoridade" (Ap 13.1-2). Joo cita exatamente os mesmos
animais aludidos pelo profeta Daniel na referncia a trs dos quatro
grandes imprios mundiais: Babilnico, Medo-Persa e Grego (Dn
7.1-6). O quarto imprio, que traz todas as caractersticas inerentes
 besta dos outros imprios (s que muito piores),  nenhum outro
seno o imprio Romano (Dn 7.7). Joo declara em Apocalipse 17.12
que os dez chifres so dez reis; so os lderes ou governantes das dez
provncias imperiais. Em Apocalipse 17.9-10, Joo identifica as sete
cabeas como sete colinas (lugares) e sete reis (indivduos). No
mundo antigo Roma era conhecida como a cidade das sete colinas.
Joo, situado na extremidade do mar Mediterrneo, olha em
direo a Roma e v uma besta surgindo do mar. Roma foi um
imprio mundial que detinha autoridade sobre todos os povos e
naes (Ap 13.7); constitua o auge dos quatro imprios em Daniel,
um imprio completamente satnico (v. 2); e que existiu sobre sete
colinas (v. 9). A seguir esto algumas outras caractersticas da besta.

1. A besta no foi apenas um imprio, mas tambm um homem (Ap
13.18). Joo diz que a besta tinha em cada cabea um nome de
blasfmia (v. 1). Os csares de Roma eram adorados como deuses.
Os imperadores de Roma foram designados como: Sebastos
(algum a ser adorado), divus (deus) e mesmo Deus e Theos (Deus).
107 As moedas de Nero traziam "Salvador do mundo", e Domiciano

era chamado "nosso Senhor e nosso Deus". Joo deu traos
especficos que identificavam a besta, todos os quais no apontavam
a algum a mais de 2000 anos no futuro, mas a um imperador ainda
vivo nos seus dias: Nero. Apocalipse 17.10 diz "So tambm sete
reis. Cinco j caram, um ainda existe, e o outro ainda no surgiu;
mas, quando surgir, dever permanecer durante pouco tempo".
Joo especificamente diz que o sexto rei estava governando no
presente. Quem  o sexto rei? Ningum outro seno Nero, o
primeiro grande perseguidor de cristos. A seguir, uma lista dos
csares romanos: 1. Julius (49-44 B.C.), 2. Augustus (31 B.C.-A.D.
14), 3. Tiberius (A.D. 14-37), 4. Gaius (Caligula, A.D. 37-41), 5.
107   Chilton, p. 328.



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Claudius (A.D. 41-54), 6. Nero (A.D. 54-68), 7. Galba (A.D. 68).
Joo disse que o sexto rei estava governando quando ele escreveu;
esse rei seria sucedido por um stimo que governaria "durante
pouco tempo" (Ap 17.10). Isso foi cumprido  risca: Nero foi
sucedido por Galba, que governou por apenas trs meses at ser
assassinado.

2. Joo d outro indicador da besta: um nmero. "Aqui h
sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o nmero da besta,
pois  nmero de homem. Seu nmero  seiscentos e sessenta e
seis" (Ap 13.18). Por que Joo simplesmente no diz quem  a
besta? Por que ele fala em linguagem secreta? Joo estava
escrevendo de Patmos, onde foi exilado pelos romanos. A igreja
sofria uma perseguio sistemtica pelo estado romano sob Nero.
Joo identifica o imperador romano, mas o faz de uma forma que
preserve a igreja das represlias no caso da carta ser interceptada
pelas autoridades romanas. Quase todas as igrejas no imprio
romano eram constitudas por judeus e gentios. Os judeus que
viviam nos dias de Joo usavam o seu alfabeto tanto na simbologia
sonora (fontica) quanto nos seus valores numricos. Cada letra do
alfabeto hebraico tinha um equivalente numrico. A pronncia
hebraica do nome de Nero em documentos da poca relativos aos
escritos de Apocalipse  Nrwn Qsr, que equivale exatamente a 666.
108


3. Outro indicador  a bestialidade da personalidade em si. Nero era
verdadeiramente possudo de uma natureza perversa, bestial. Ele foi
considerado uma "besta" mesmo pelos seus contemporneos. 109
"Nero, que matou vrios membros da sua prpria famlia (incluindo
a sua esposa grvida, morta a pontaps); que era homossexual, o
ltimo estgio de depravao (Rm 1.24-32); a quem testemunhar o

108 "Em alguns antigos manuscritos escritursticos, o nmero 666 foi realmente alterado para

616. Certamente no se tratou de um erro de leitura de um antigo copista. Os nmeros 666 e 616
no apresentam similaridades aparentes no grego original  seja na pronncia como palavras
seja na escrita como nmeros. Os acadmicos textuais so unnimes: deve ter sido intencional.
Embora no possamos estar absolutamente certos, um argumento forte e razovel pode ser
estabelecido com base na seguinte conjectura: Joo, um judeu, usou uma pronncia hebraica
para o nome de Nero a fim de chegar  figura 666. Mas quando o Apocalipse comeou a circular
entre aqueles menos familiarizados com o hebraico, um copista bem intencionado que sabia o
significado de 666 pode ter buscado tornar a decifrao mais fcil alterando o nmero para 616.
Certamente no  pura coincidncia que 616  o valor numrico de `Nero Csar', quando
pronunciado em hebraico pela transliterao da pronncia latina mais conhecida" (Gentry, pp.
376-77).
109 O escritor pago Apollinius de Tyana, um contemporneo de Nero, especificamente

menciona que Nero era chamado de uma "besta" (ibid., p. 377). Nero deve ter adquirido a
alcunha "a besta" em funo de algumas das suas atividades perversas. Nero era um sdico
pervertido, temido e odiado mesmo pelos pagos romanos.



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sofrimento imposto pelas torturas mais horrveis e degradantes
representava o afrodisaco preferido; que se fantasiou de besta
selvagem a fim de atacar e estuprar homens e mulheres
encarcerados; que usou corpos de cristos queimando penetrados
em estacas como legtimas "tochas romanas" a fim de iluminar as
suas obscenas festas ao ar livre; que lanou a primeira perseguio
imperial aos cristos com a incitao dos judeus, a fim de destruir a
igreja; esse pervertido animalesco foi governador do imprio mais
poderoso da terra." 110

4. Joo disse que a besta faria guerra contra os santos de Deus.
"`Diz-se a respeito da Besta, que `Foi-lhe dado poder para guerrear
contra os santos e venc-los' (Ap 13.7). De fato,  dada a ela
autoridade para conduzir essa guerra blasfema por um certo
intervalo de tempo: 42 meses (Ap 13.5). A perseguio de Nero, que
iniciou em 64 A.D., foi mesmo a primeira investida romana contra o
Cristianismo, como notado pelos pais da Igreja Eusebius, Tertullian,
Paulus Orosius e Sulpicius Severus, bem como pelos historiadores
romanos Tacitus e Suetonius." 111 Nero foi assassinado pela espada
em 8 de Junho de 68 A.D., e isso ps fim  sangrenta perseguio
contra os crentes. Note que a perseguio dos cristos por Nero
durou 42 meses, exatamente como profetizado pelo apstolo Joo
em Apocalipse 13.5.



3. A marca da besta

Estamos prximos de receber um cdigo de barras na fronte e/ou
na mo direita a fim de podermos comprar e vender coisas? O
governo caminha no propsito de forar as pessoas a ter um chip de
computador inserido na mo direita para fins de identificao?
Ainda que essas coisas sejam possveis, no tm absolutamente
nenhuma relao com a marca da besta citada no Apocalipse. No
Antigo Testamento Deus falou da total sujeio  Ele e  Sua lei
prendendo-a na testa e amarrando-a como um sinal nos braos:
"Amarre-as como um sinal nos braos e prenda-as na testa" (Dt
6.8). Em Apocalipse, aqueles que so fiis a Cristo, "e seguem o
Cordeiro por onde quer que ele v" (Ap 14.4), so identificados
porque "traziam escritos na testa o nome dele [do Cordeiro] e o
nome de seu Pai" (Ap 14.1) Joo tambm se refere a isso como um

110   Chilton, p. 329.
111   Gentry, pp. 377-78.



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selo: "No danifiquem, nem a terra, nem o mar, nem as rvores, at
que selemos as testas dos servos do nosso Deus" (Ap 7.3). O Senhor
avisa  Igreja de Filadlfia: "Farei do vencedor uma coluna no
santurio do meu Deus, e dali ele jamais sair. Escreverei nele o
nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova
Jerusalm..." (Ap 3.12). Joo diz que mesmo aps a Sua segunda
vinda "O Seu nome estar em suas testas" (Ap 22.4). No antigo
pacto "Aro levou sobre a testa um diadema que trazia gravado o
nome do Senhor, preso na parte da frente da mitra sacerdotal." 112 
bvio que trazer o nome de Cristo (ou Deus o Pai, Ap 14.1) na fronte
no deve ser entendido literalmente, mas como representativo da
aliana com Deus, da possesso de Deus e mesmo da presena de
Deus o Esprito Santo.

Portanto, a marca da besta deve ser assumida como "a pardia
satnica do `selo de Deus' das testas e mos dos retos... Israel
rejeitou Cristo, e  `marcada' com o selo do absoluto senhorio
romano; ela se alianou com Csar, acatando o seu governo e a sua
lei. Israel escolheu ser salva pelo estado pago, e perseguiu aqueles
que visavam salvao em Cristo." 113 A marca da besta  uma
imitao barata do selo de Deus ao Seu povo. Aqueles que se
submetem a Csar e ao estado romano tm respeitabilidade social e
os seus benefcios (econmicos, polticos, religiosos etc). O estado
romano exigiu total submisso a Csar; todos deveriam fazer uma
oferta de incenso a Csar como sendo Deus. "Todos os habitantes da
terra adoraro a besta, a saber, todos aqueles que no tiveram seus
nomes escritos no livro da vida..." (Ap 13.8). Mas os cristos se
negaram a adorar a besta e assim foram perseguidos at a morte e
tornaram-se econmica e socialmente proscritos. A marca da besta
reflete um corao perverso que adora e serve a Csar. "A analogia
sem dvida vem da prtica de marcar escravos com o sinal do seu
proprietrio." 114 Os cristos so escravos de Cristo; todos os demais
so escravos de Satans. Apocalipse 13 focaliza o imprio romano e
a besta Nero Csar. A realidade se mostra muito desanimadora para
a igreja no captulo 13, mas no captulo 14 o profeta focaliza a sua
ateno sobre Cristo e o Seu povo. Aqueles que perseguem a igreja e
que adoram a besta recebero o seu salrio: "Se algum adorar a
besta e a sua imagem e receber a sua marca na testa ou na mo,
tambm beber do vinho do furor de Deus que foi derramado sem
mistura no clice da sua ira. Ser ainda atormentado com enxofre

112 Meredith G. Kline, Images of the Spirit, (Grand Rapids: Baker, 1980), p. 54.
113 Chilton, p. 342.
114 Philip Edgecumbe Hughes, The Book of the Revelation, pp. 153-54.




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ardente na presena dos santos anjos e do Cordeiro, e a fumaa do
tormento de tais pessoas sobe para todo o sempre" (Ap 14.9-11).
Mas os cristos sero abenoados: "`Felizes os mortos que morrem
no Senhor de agora em diante.' Diz o Esprito: `Sim, eles
descansaro das suas fadigas, pois as suas obras os seguiro'" (v.
13). Embora essas palavras devam confortar os cristos de todas as
eras, foram escritas especificamente para confortar os crentes que
sofriam a perseguio de Nero  a Besta.

Essa verdade  confirmada quando se tm em vista os muitos sinais
dentro do Apocalipse. Joo escreveu "Revelao de Jesus Cristo,
que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos o que em breve h de
acontecer... Feliz aquele que l... porque o tempo est prximo. O
Senhor, o Deus,... enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as
coisas que em breve ho de acontecer" (Ap 1.1-3; 22.6). Jesus Cristo
declarou cinco vezes "Virei em breve" (2.16; 3.11; 22.7, 12, 20); Ele
estava se referindo  Sua volta para julgar o Israel apstata e a
cumplicidade romana na perseguio  igreja (esse julgamento
ocorreu em 67-70 A.D.). Mas Ele prometeu poupar uma igreja
piedosa do primeiro sculo da futura conflagrao: "Visto que voc
guardou a minha palavra de exortao  perseverana, eu tambm o
guardarei da hora da provao que est para vir sobre todo o
mundo" (3.10). O propsito das referncias ao milnio,  segunda
vinda, ao julgamento final e ao estado eterno era dar aos cristos
perseguidos do primeiro sculo um vislumbre da igreja gloriosa
futura. A importncia particular do livro de Apocalipse  audincia
do primeiro sculo no deve ser ignorada.




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                                  Concluso


Uma anlise do ensino bblico sobre a segunda vinda de Cristo; o
milnio; o reino de Deus; a natureza, o propsito e destino da igreja;
as profecias do reino etc., demonstra que o pr-milenismo  anti-
bblico;  exegtica e teologicamente inconsistente com o claro
ensino da Palavra de Deus. Os pr-milenistas conseguem somente
defender a sua doutrina desconsiderando as muitas passagens que
ensinam que a ressurreio, o julgamento final e a entrega do reino
ao Pai ocorrem no fim dos tempos. O surgimento do pr-milenismo
nas igrejas evanglicas coincidiu historicamente com o surgimento
do pietismo anti-bblico, do Arminianismo, do Dispensacionalismo
e do escapismo. As idias tm conseqncias; se cristos no crem
que a lei moral de Deus est vinculada s naes; se crem que o
mundo ainda pertence a Satans, que os cristos no podem vencer
na histria, que no so incitados a aplicar a Palavra de Deus a
todas as esferas da vida  ento sero atrados a um sistema
escatolgico que ensina derrota e leva s pessoas a falsa noo de
que so livres das suas responsabilidades sociais. Assim, uma
doutrina bblica das ltimas coisas  crucial se os cristos
pretendem ser sal e luz para a sociedade alm de se manter
vigorosos e otimistas durante as batalhas que se encontram  frente.
Os cristos precisam retornar ao sistema escatolgico ensinado pela
Bblia: o ps-milenismo.




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